?PF identifica movimentações bilionárias, compra de mansão na Flórida e atuação de milícia privada para intimidar críticos e autoridades
? STF autorizou a deflagração da 6ª fase da Operação Compliance Zero que cumpre sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro
Brasília – Henrique Vorcaro, empresário e pai do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal na manhã de quinta-feira (14), em Belo Horizonte, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de participação em esquema de ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro e apoio a uma estrutura privada de intimidação. A PF afirma que Henrique era titular da conta usada por Daniel para ocultar R$ 2,2 bilhões das vítimas do escândalo do Master, fato que motivou novas ações judiciais e aprofundou o rastreamento de bens no Brasil e no exterior.
A prisão de Henrique Vorcaro representa o avanço mais recente da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar fraudes bilionárias relacionadas ao Banco Master e a supostas operações de lavagem de dinheiro, corrupção e intimidação.
De acordo com com as investigações, Henrique é um dos alvos centrais da operação, que cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal.
Ocultação de R$ 2,2 bilhões e reiteração delitiva
O relatório detalha que uma decisão do ministro André Mendonça já havia revelado que Daniel Vorcaro utilizou a conta do pai, vinculada à empresa CBSF DTVM (antiga Reag), para ocultar cerca de R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas. A Reag também é citada na Operação Carbono Oculto, que investiga eventual utilização de fundos de investimento para lavagem de dinheiro do PCC. A empresa nega irregularidades.
Segundo o documento, a PF considerou o uso contínuo dessa conta — mesmo após a primeira liberação de Daniel em novembro — como indício de reiteração delitiva, reforçando a necessidade da segunda prisão preventiva decretada no início de março.
A mansão na Flórida e o uso da empresa Sozo
O documento também registra que o nome de Henrique foi citado em pedido da liquidante EFB Regimes Especiais de Empresas à Justiça dos Estados Unidos, referente ao congelamento de uma mansão na Flórida supostamente adquirida pela família Vorcaro.
A conclusão apresentada no documento é de que Henrique e Natália Vorcaro teriam utilizado a empresa Sozo para a compra do imóvel em 2023 como parte de um esquema para adquirir ativos com recursos supostamente desviados do Master, mantendo a continuidade da fraude.
A estrutura de coerção e “A Turma”
Um dos pontos mais relevantes do relatório é a descrição de um grupo chamado “A Turma”, caracterizado como uma milícia privada organizada para proteger os interesses de Daniel Vorcaro. O grupo, segundo o documento, era composto por policiais federais ativos, ex-agentes e outros colaboradores, que acessavam informações sigilosas, monitoravam críticos e promoviam atos de intimidação. Dois integrantes — Fabiano Zettel e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” — já haviam sido presos em fases anteriores.
A sexta fase da operação visou aprofundar esse eixo da investigação, com foco em crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.
O papel da Multipar e a movimentação bilionária
Outro aspecto chave é a posição de Henrique como presidente da Multipar, conglomerado com atuação em engenharia, energia, agronegócio e setor imobiliário, que de acordo com o Coaf movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025 exclusivamente entre contas associadas ao núcleo empresarial de Daniel Vorcaro. A análise do órgão, citada no documento, aponta indícios de tentativa de ocultação patrimonial.
Prisões relacionadas e alcance do esquema
Além de Henrique, fases anteriores da Compliance Zero registraram:
・a prisão de Felipe Vorcaro, primo de Daniel, apontado como operador financeiro do grupo, responsável por conectar decisões estratégicas às operações materiais;
・prisões ligadas à estrutura de coerção e intimidação, com foco na proteção da rede patrimonial e societária.
A prisão de Henrique Vorcaro marca um ponto crítico no aprofundamento da Operação Compliance Zero, indicando que a Polícia Federal concentrou esforços em desarticular núcleos familiares e corporativos envolvidos na ocultação de ativos e na proteção de um esquema financeiro que, segundo as investigações, causou prejuízos bilionários ao mercado e ao Fundo Garantidor de Créditos.
A investigação avança de forma integrada, unindo rastreamento financeiro, cooperação internacional e desmonte de estruturas de intimidação. A partir das informações registradas, observa-se que os desdobramentos judiciais e criminais deverão continuar a repercutir sobre os envolvidos, com impacto direto sobre a recuperação de ativos, a responsabilização penal e a reorganização das estruturas empresariais associadas à família Vorcaro.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.















