Governador voou em aeronave de empresária que tem contratos com sua gestão; governo afirma que avião foi emprestado por aliado político
O governo do Pará vive um momento de intensa angústia política e administrativa. Sob uma capa de propaganda midiática promovida pelo governador Helder Barbalho (MDB), a realidade por trás dos bastidores da administração estadual revela uma série de irregularidades que têm passado despercebidas pela opinião pública.
No centro da controvérsia está o uso de um avião da empresária Andréa Costa Dantas, proprietária da JA Construções, que mantém contratos substanciais com o governo estadual. Em 31 de agosto passado, segundo matéria desta quarta-feira do jornal “Folha de São Paulo”,, o Cessna Prefixo PS-LDP, registrado em nome de Dantas, precisou realizar um pouso de emergência em Tucuruí, enquanto a bordo estavam o governador Helder Barbalho e outros passageiros.
Apesar do incidente não ter causado ferimentos, a presença do governador a bordo do avião, cujo proprietário é vinculado a um grande contrato com a gestão estadual, levanta sérias questões sobre a ética e a transparência na administração pública.
Doido, mas nem tanto
O contrato em questão, firmado em maio de 2023 com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, tem o valor de R$ 3,57 milhões e é destinado à pavimentação, recuperação e drenagem de vias urbanas. A empresária Dantas é esposa do deputado federal Antonio Doido (MDB), que é candidato a prefeito de Ananindeua, município da região metropolitana de Belém.
A relação entre a doadora do avião e os contratos com o governo estadual é uma coincidência que não pode ser ignorada.
Em nota, o governo do Pará justificou que o avião foi “emprestado” pelo deputado Antonio Doido para facilitar a participação de membros do partido, incluindo o governador e o presidente da Assembleia Legislativa do Pará, deputado Chicão, em eventos políticos no interior do Estado.
No entanto, a explicação não apaga as preocupações sobre a possível troca de favores e a falta de transparência nas negociações e contratações governamentais.
A crítica à gestão de Helder Barbalho se intensifica à medida que a população, bombardeada por uma intensa propaganda midiática do governo, permanece alheia aos supostos esquemas de corrupção e às práticas questionáveis que permeiam a administração.
A realidade por trás dos anúncios grandiosos e das promessas de progresso revela um cenário onde a moralidade administrativa está se deteriorando, e onde contratos milionários são concedidos a apaniguados políticos, às custas dos cofres públicos.
Enquanto o governo promove uma imagem de eficiência e desenvolvimento, a verdade é que a suspeita de corrupção e a falta de transparência continuam a corroer a confiança pública. O episódio do avião e os contratos milionários são apenas mais um capítulo em uma narrativa preocupante sobre a gestão de recursos públicos e a ética na política paraense.
À medida que a COP-30 se aproxima, o Estado do Pará enfrenta o desafio urgente de limpar sua imagem e restaurar a confiança da população em suas instituições e lideranças.















