Um caso inusitado de estelionato chamou a atenção das autoridades em Marabá na última sexta-feira (17). Uma mulher foi detida pela Polícia Civil suspeita de criar uma campanha falsa nas redes sociais para arrecadar dinheiro, utilizando até mesmo inteligência artificial para dar credibilidade ao golpe.
De acordo com o delegado Rodrigo Gonçalves, a investigação teve início após uma clínica veterinária estranhar a movimentação de pessoas em busca de informações sobre um suposto animal doente que estaria internado no local. A história, no entanto, não correspondia à realidade.
Segundo informações do portal Correio de Carajás, a suspeita teria criado uma imagem do animal com o uso do ChatGPT e divulgado nas redes sociais uma campanha de rifas, alegando que os valores arrecadados seriam destinados a uma cirurgia urgente. Sensibilizadas, diversas pessoas chegaram a fazer doações via PIX e até a enviar corridas de aplicativo para contribuir com a causa.
Desconfiados, funcionários da clínica decidiram investigar por conta própria e conseguiram localizar o endereço vinculado à campanha, no bairro Liberdade. A partir disso, acionaram a Polícia Civil, que conduziu a suspeita até a delegacia, onde foram analisados celulares e comprovantes de transferências.
Durante a apuração, os policiais também identificaram que os dados utilizados para o recebimento dos valores pertenciam à mãe da suspeita, que, segundo as investigações, não teria conhecimento do esquema.
Apesar das evidências, a mulher não permaneceu presa, já que o caso não se enquadrou em situação de flagrante, conforme prevê o Código de Processo Penal. Ela foi ouvida e liberada, e o caso segue em investigação. A Polícia Civil informou que fará a extração de dados dos aparelhos apreendidos antes de concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Ministério Público.
O delegado alertou para o aumento de casos de estelionato digital no país e reforçou a importância de verificar a veracidade de campanhas antes de realizar qualquer tipo de doação. Pessoas que acreditam ter sido vítimas do golpe podem procurar a delegacia para tentar o ressarcimento dos valores.















