Alexandre Ronan de Sousa, conhecido como Mestre Pequinês, saiu de Goiânia para conquistar reconhecimento internacional por meio da capoeira. Com mais de quatro décadas dedicadas à modalidade, o fundador do Grupo Internacional Capoeira Nagô vive atualmente em Miami, nos Estados Unidos, onde trabalha pela preservação da cultura brasileira e pela expansão da capoeira em diversos países. Entre os projetos desenvolvidos por ele está o Elite Capoeira Fight, evento que ficou conhecido como o “UFC da capoeira” por aproximar a modalidade do universo das grandes competições de artes marciais.
A trajetória de Mestre Pequinês começou ainda na infância, quando a capoeira surgiu de forma inesperada em sua vida. Nascido em Goiânia, ele conta que inicialmente praticava judô e não imaginava que faria da capoeira sua profissão e sua missão de vida.
Segundo ele, a paixão surgiu ao passar pela Escola Superior de Educação Física de Goiás (Eseffego), localizada no mesmo bairro onde morava. O som do berimbau e os movimentos realizados pelos praticantes despertaram um encantamento imediato.
“Quando vi uma aula de capoeira, o som do berimbau, as pessoas dando mortal, aqueles movimentos todos, foi amor à primeira vista”, contou.
Os treinamentos começaram quando ele tinha 10 anos de idade. Poucos anos depois, aos 17, já atuava como professor em um centro comunitário, experiência que, segundo ele, mudou completamente sua visão sobre a modalidade.
“Eu comecei a dar aula e foi uma experiência transformadora. Em 1989 disputei os meus primeiros torneios, fui campeão goiano de capoeira e isso me deu uma outra visão sobre o esporte, eu não queria mais nada da vida, queria a capoeira também como profissão”, ressaltou.
Anos mais tarde, Mestre Pequinês fundou o Grupo Internacional Capoeira Nagô. O projeto nasceu em Goiânia, mas ultrapassou as fronteiras brasileiras e atualmente possui presença em 20 países.
Ao relembrar essa expansão, ele afirma que jamais imaginou que a capoeira o levaria a conhecer tantos lugares pelo mundo.
“Eu sou ‘goiano do pé rachado’, não imaginava sair da minha cidade, mas, quando parei para ver, eu já tinha rodado o mundo com a capoeira. Conheço mais de 50 países, sou chamado para eventos em todos os lugares. O nosso primeiro núcleo fora do Brasil foi em Nova York, no centro do mundo”, disse.
Durante uma dessas viagens internacionais, Mestre Pequinês conheceu Miami e decidiu construir uma nova etapa de sua carreira na cidade norte-americana. Segundo ele, a recepção que recebeu foi determinante para essa decisão e também serviu de inspiração para desenvolver um novo projeto voltado à valorização da capoeira.
“Cheguei em Miami e a cidade sorriu para mim. Recebi apoio de muitas pessoas que já estavam aqui e eu sorri de volta. Então, aproveitando o glamour desse lugar, pensei em dar algo a mais para a capoeira, tive a ideia de colocar essa nova roupagem no esporte”, afirmou.
Foi desse projeto que nasceu o Elite Capoeira Fight. Em parceria com os ex-atletas do UFC André Gusmão e Cezar Mutante, além do produtor Marcelo Gama e Erlon de Souza, Mestre Pequinês ajudou a criar o evento, que busca apresentar a capoeira ao mundo como modalidade de luta, esporte e performance atlética de alto nível.
De acordo com ele, o Elite Capoeira Fight aproxima a capoeira do universo das artes marciais mistas ao destacar seus aspectos combativos, acrobáticos, técnicos, estratégicos e culturais. O projeto também aposta em transmissões pela internet, forte presença nas redes sociais e participação de atletas de diversos países para ampliar a visibilidade da modalidade no cenário internacional.
“Nós colocamos a capoeira dentro do maiores estúdios de TV de Miami. Agregamos a luta ao show, a experiência de atletas renomados e uma competição de alto nível que só valoriza o esporte, com atletas do mundo todo. É um produto muito bom, a capoeira merece esse reconhecimento”, afirmou.
O evento já realizou duas edições nos Estados Unidos e, segundo Mestre Pequinês, o perfil oficial nas redes sociais soma quase 23 mil seguidores. A próxima etapa do projeto prevê a realização de uma edição no Brasil.
Além da expansão da competição, o mestre também pretende desenvolver iniciativas sociais em Goiás, estado onde iniciou sua trajetória na capoeira. Segundo ele, o objetivo é oferecer oportunidades para que outras pessoas possam trilhar um caminho semelhante ao seu.
“Quero conseguir devolver para o meu estado de Goiás um pouco do que ganhei, ajudar pessoas a realizarem esse mesmo sonho que realizei”, completou.















