A noite cai cedo sobre Placas — e, quando cai, ela cai pesada. Na cidade partida pela Transamazônica, onde a poeira vermelha cobre tudo e a violência parece nascer junto com o sol, mais um capítulo macabro acaba de ser escrito. Um crime com uma brutalidade tão feroz que só pode ter sido cometido por alguém tomado por um ódio absoluto, primitivo, quase animal.
Gilson Roseno da Silva, morador de Uruará, desapareceu como tantos outros já desapareceram naquela imensidão de estradas vicinais, bares de madeira e silêncio. Por 48 horas, ninguém sabia dele. A última lembrança era vaga: Gilson bebia em um pequeno bar no Travessão 135 Norte, o mesmo lugar que seria palco da revelação mais aterradora da região.
Foi na tarde de sexta-feira (5) que moradores encontraram o corpo — ou o que restava dele. Em avançado estado de decomposição, sem cabeça, largado como se fosse apenas mais um objeto descartado em meio à mata fechada, cerca de 20 quilômetros para dentro da BR-230. A visão era tão horrenda que até os mais acostumados aos horrores da Transamazônica recuaram.
Um assassinato assim não é apenas matar. É uma mensagem. Uma assinatura de pura violência.
A Polícia Civil, ao chegar, instaurou inquérito imediatamente. Peritos foram acionados da Polícia Científica do Pará, e o IML de Altamira mobilizado para remover o corpo e tentar reconstruir o que aconteceu naquele pedaço esquecido do mapa. Os investigadores sabem que ali ninguém morre por acaso — e ninguém mata sem intenção.
Movido pelo ódio
A pergunta, agora, ecoa entre seringais, motéis de beira de estrada e pequenos sítios isolados: quem teria tanto ódio de Gilson ao ponto de arrancar-lhe a cabeça?
Na Transamazônica, onde a fronteira entre vida e morte é mais fina que um fio de arame, essa resposta pode estar escondida em qualquer curva de barro, em qualquer mesa de bar, em qualquer olhar silencioso.
E é justamente isso que torna tudo ainda mais sombrio.















