👉🏻Governador tem 54,1% de aprovação, mas 42,6% de rejeição, enquanto Dr. Furlan lidera com vantagem de 38 pontos percentuais
👉🏻 Senador Randolfe Rodrigues registra 33,6% de rejeição e ocupa terceira posição na disputa pela segunda vaga, com crescimento estagnado há um ano em levantamento da Paraná Pesquisas
Brasília – O cenário político amapaense para as eleições de 2026 apresenta um quadro de consolidação de lideranças específicas, com a família Furlan ocupando o protagonismo tanto na disputa pelo Poder Executivo estadual quanto para o Legislativo Federal. De acordo com levantamento da Paraná Pesquisas registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código AP-02175/2026, realizado entre 11 e 13 de junho de 2026, o ex-prefeito de Macapá Dr. Antônio Furlan detém uma vantagem de quase 40 pontos percentuais sobre o atual governador Clécio Luís. No campo do Senado, Rayssa Furlan desponta como a favorita, enquanto nomes tradicionais da política local enfrentam altos índices de rejeição e uma disputa acirrada pelas vagas remanescentes.
A pesquisa ouviu uma amostra estratificada de 1.100 eleitores com 16 anos ou mais, abrangendo 14 municípios do estado do Amapá, com grau de confiança de 95% e margem de erro estimada em 3,0 pontos percentuais.
Os dados revelam não apenas a força do grupo político que comanda a capital amapaense, mas também indicam um desejo de renovação entre o eleitorado, apesar da aprovação moderada da gestão estadual atual.
Eleito em 2022, o senador Davi Alcolumbre (UB-AP), tem o mandato até dezembro de 2030, e está de olho na reeleição à presidência do Senado, pela terceira vez, num momento de turbulência de sua gestão a frente do Congresso Nacional.
A liderança absoluta para o Governo
No cenário estimulado para o Governo do Amapá, a liderança de Dr. Furlan é incontestável. O candidato soma 64,7% das intenções de voto, o que indica uma possibilidade real de vitória ainda em primeiro turno, caso o pleito fosse realizado no momento da pesquisa.
O atual governador Clécio Luís aparece em segundo lugar com 26,5%, enquanto 4,7% dos eleitores optam por nenhum, branco ou nulo, e 4,1% não souberam ou não opinaram.
A distância entre os dois principais postulantes reflete um desgaste da imagem do atual gestor frente ao crescimento da popularidade do ex-prefeito da capital.
Conforme informações complementares, Dr. Furlan é médico cardiologista que construiu sua carreira no atendimento à população, chegando à Assembleia Legislativa como deputado estadual em 2013 e posteriormente alcançando a Prefeitura de Macapá em 2021. Sua reeleição como prefeito em 2024 foi expressiva, recebendo 204.291 votos, consolidando sua base eleitoral na capital.
Entretanto, a trajetória de Furlan não está isenta de controvérsias. Em março de 2026, após ser alvo de operações da Polícia Federal que investigavam possíveis desvios de recursos públicos para financiar ataques políticos contra opositores, o ex-prefeito renunciou ao cargo.
Apesar dessas investigações, sua candidatura ao governo mantém força nas pesquisas, sugerindo que o eleitorado amapaense ainda o vê como alternativa viável para a administração estadual.
A aprovação moderada da gestão estadual
A administração do governador Clécio Luís apresenta um quadro de aprovação moderada, com 54,1% dos eleitores aprovando sua gestão, contra 43,4% que a desaprovam.
Quando desagregados os dados de aprovação, observa-se que 12,5% consideram a gestão ótima, 25,1% a avaliam como boa, 33,3% como regular, 7,5% como ruim e 20,2% como péssima. A avaliação “regular” é a mais frequente, indicando falta de polarização clara sobre o desempenho do governador.
Contudo, quando o foco se volta para a rejeição eleitoral — o índice que mede em quem o eleitor não votaria de jeito nenhum —, os números tornam-se mais críticos para o atual mandatário. Clécio lidera a rejeição com 42,6%, seguido por Marcos Reategui com 34,9%.
A discrepância entre a aprovação administrativa de Clécio (54,1%) e sua intenção de voto (26,5%) sugere que, embora o eleitor reconheça entregas da gestão, há um desejo de renovação política personificado na figura de Dr. Furlan.
A disputa acirrada pelo Senado Federal
A disputa pelas cadeiras no Senado Federal também aponta para um favoritismo da família Furlan. Rayssa Furlan, dermatologista e primeira vez candidata a cargo eletivo, lidera o cenário com 64,3% das intenções de voto.
A segunda posição é ocupada por Lucas Barreto, que registra 51,1%, seguido de perto por Randolfe Rodrigues, com 42,7%. O cenário indica uma polarização entre nomes já estabelecidos e a força do grupo político que atualmente comanda a capital amapaense.
Teles Júnior aparece com 13,2%, figurando como uma alternativa ainda distante do pelotão de frente. A pesquisa revela que Rayssa Furlan possui a menor rejeição entre os candidatos ao Senado, com apenas 12,8%, enquanto Randolfe Rodrigues lidera a rejeição com 33,6%, um patamar significativamente superior ao de seus principais concorrentes diretos.

O desafio de Randolfe Rodrigues
O senador Randolfe Rodrigues, que busca sua reeleição, enfrenta um momento crítico em sua campanha. Com 42,7% de intenções de voto, o candidato ocupa atualmente a terceira posição na preferência do eleitorado, ficando fora da zona de eleição, já que o pleito de 2026 elege apenas dois senadores.
Sua base de apoio demonstra resiliência, mas enfrenta dificuldades para romper a barreira dos 45%, patamar que garantiria maior segurança na disputa pela segunda vaga. Num ato considerado de desespero, Randolfe tentou lançar sua pré-candidatura num grande comício suspenso pela Justiça Eleitoral do Amapá (veja aqui) em ato considerado violação da legislação eleitoral.
A análise da série histórica revela um crescimento gradual, porém lento, nas intenções de voto de Randolfe ao longo do último ano. Em julho de 2025, registrava 40,8%, em outubro de 2025 caiu para 40,2%, recuperou-se em março de 2026 com 41,7% e chegou a 42,7% em junho de 2026. O crescimento acumulado de 1,9 ponto percentual em doze meses é inferior à margem de erro da pesquisa (3,0%), o que caracteriza um cenário de estabilidade técnica.
Um dos maiores obstáculos à reeleição de Randolfe é justamente seu índice de rejeição de 33,6%. Uma rejeição acima de 30% impõe um “teto” eleitoral perigoso, dificultando a conversão de eleitores indecisos na reta final da campanha.
Esse fenômeno pode ser atribuído à sua forte exposição nacional e ao seu posicionamento combativo, que, embora gere admiração em sua base, provoca resistência em setores mais conservadores do estado.
O desempenho de Randolfe apresenta variações significativas quando cruzado com dados demográficos. Seu melhor desempenho ocorre entre o eleitorado feminino, onde sua pauta de direitos sociais encontra maior eco, e entre jovens de 16 a 24 anos.
Entretanto, perde tração em eleitores acima de 60 anos. Demonstra desempenho superior entre eleitores com ensino superior completo, evidenciando um perfil de voto mais intelectualizado, mas enfrenta resistência no segmento evangélico praticante, que demonstra maior alinhamento com o grupo Furlan.
O fator religioso e o perfil do eleitorado
A análise detalhada dos dados revela que o apoio a Dr. Furlan e Rayssa Furlan é transversal, mas encontra picos significativos em determinados grupos.
O eleitorado feminino, que representa 51,1% da amostra, e os eleitores com escolaridade até o ensino médio (66,4%) formam a base sólida de sustentação desses candidatos.
Além disso, a pesquisa identificou uma correlação positiva entre a participação em celebrações religiosas e a intenção de voto nos candidatos da família Furlan, indicando uma forte penetração junto ao eleitorado conservador e religioso do estado.
Esse perfil demográfico é fundamental para compreender a força eleitoral do grupo Furlan. A população amapaense, com predominância de eleitores com escolaridade até o ensino médio e com forte participação em atividades religiosas, encontra maior identificação com os candidatos da família.
A estabilidade do cenário eleitoral
Um ponto de destaque no relatório da Paraná Pesquisas é a estabilidade dos números. Ao comparar os dados atuais com os levantamentos realizados em julho de 2025, outubro de 2025 e março de 2026, observa-se que as posições dos candidatos pouco oscilaram além da margem de erro.
Essa consistência sugere um cenário eleitoral cristalizado, onde as estratégias de oposição terão dificuldades para reverter a tendência de liderança do grupo Furlan nos meses que antecedem o pleito oficial.
A pesquisa anterior da Paraná Pesquisas, realizada em julho de 2025, já apontava Dr. Furlan com 65,2% das intenções de voto contra 24,3% de Clécio Luís, confirmando a tendência de liderança que se mantém estável até junho de 2026.
Perspectivas para a reta final
Para a reta final da campanha, existem dois cenários principais. O primeiro é um cenário de polarização pela segunda vaga do Senado, onde Randolfe consegue nacionalizar a disputa e atrair o voto útil da esquerda e centro-esquerda, hoje disperso em candidatos menores, para ultrapassar Lucas Barreto.
O segundo é um cenário de estagnação, onde a alta rejeição impede o crescimento de Randolfe, e a força da máquina estadual e municipal consolida os dois primeiros nomes, deixando o senador em um honroso, porém insuficiente, terceiro lugar.
Para reverter o quadro atual, a campanha de Randolfe Rodrigues deve focar em reduzir sua rejeição, suavizando a imagem de “confronto” e focando em entregas diretas de recursos e obras para os municípios do interior.
Além disso, deve regionalizar seu discurso, trazendo o foco da atuação parlamentar de Brasília para os problemas cotidianos do Amapá, combatendo a percepção de que é um político “muito nacional”.
O cenário político amapaense para 2026 apresenta-se como um momento de possível inflexão nas estruturas de poder estadual. A pesquisa Paraná Pesquisas revela não apenas a força consolidada da família Furlan, mas também aponta para um eleitorado que busca renovação, apesar de reconhecer entregas da administração atual.
A estabilidade dos números ao longo de um ano sugere que o cenário está cristalizado, com poucas possibilidades de grandes oscilações até o pleito oficial.
A disputa pelo Senado, particularmente pela segunda vaga, permanece como o ponto focal de incerteza, onde Randolfe Rodrigues enfrenta o desafio de converter sua base de apoio em votos suficientes para superar Lucas Barreto.
Enquanto isso, a candidatura de Dr. Furlan ao governo estadual segue como favorita absoluta, refletindo um desejo de mudança entre o eleitorado amapaense, mesmo diante das controvérsias que cercam sua trajetória recente.
Metodologia
Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código AP-02175/2026, a pesquisa foi realizada entre os dias 11 e 13 de junho deste ano e ouviu 1.100 eleitores com 16 anos ou mais, em 14 municípios do Amapá. O nível de confiança divulgado é de 95%, e a margem de erro estimada é de 3 pontos percentuais.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.















