Em um chocante exemplo de como as instituições de segurança pública podem abrigar predadores disfarçados de protetores, o sargento da Polícia Militar Adriano Augusto Silva David, um homem que jurou defender a sociedade, foi finalmente capturado e está preso desde a última quinta-feira (8) em Blumenau, Santa Catarina, após quase dois anos foragido.
Suspeito de uma série de abusos sexuais contra crianças vulneráveis, com idades entre 6 e 12 anos – incluindo sua própria sobrinha –, em Altamira, no Pará, David representa o pior tipo de traição: um policial que explorava laços de confiança familiar para cometer atos hediondos, intimidando vítimas com uma arma debaixo da cama e promovendo “festas do pijama” como armadilhas para seus crimes.
Essa prisão tardia expõe falhas graves no sistema judiciário e policial, que permitiram que um abusador em série circulasse livremente, potencialmente vitimando mais inocentes, enquanto famílias sofriam em silêncio.
De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Pará, David se aproximava das vítimas por meio de relações de proximidade com as famílias. Como amigo das mães, ele se apresentava como atencioso e prestativo, convidando as crianças para passeios inocentes, como idas ao cinema, ou hospedando-as em sua casa para eventos noturnos.
Os abusos, que se estenderam por anos, incluíam relatos aterrorizantes: uma das vítimas, sua sobrinha, descreveu como o sargento mantinha uma arma próxima durante os atos, usando seu status de policial para instilar medo e impedir denúncias. Outros depoimentos indicam que alguns crimes ocorreram na presença da filha do próprio investigado, uma menina de apenas 9 anos, o que agrava a perversidade do caso.
Pelo menos quatro vítimas foram identificadas formalmente, e as mães delas relataram à polícia o horror de descobrir os abusos após as crianças, traumatizadas, finalmente revelarem os detalhes de meses de sofrimento.
Dois anos foragido e impune
A prisão preventiva contra David foi decretada em julho de 2023, a pedido da Polícia Civil do Pará, mas ele fugiu de Altamira logo em seguida, permanecendo foragido até ser localizado por uma operação conjunta envolvendo o Departamento de Investigações Criminais de Santa Catarina e o Núcleo de Inteligência do Pará.
A abordagem aconteceu quando ele saía de uma residência no bairro Velha Central, em Blumenau. Agora detido no Presídio Regional de Blumenau, ele aguarda os desdobramentos judiciais, enquanto a Polícia Civil do Pará continua apurando a extensão dos crimes e buscando possíveis vítimas adicionais. Denúncias de casos semelhantes devem ser feitas imediatamente ao Conselho Tutelar, delegacias especializadas, autoridades policiais ou pelo Disque 100, para romper o ciclo de silêncio e impunidade.
Isso não é apenas uma tragédia isolada, mas um alerta urgente sobre as brechas no sistema de justiça brasileiro, onde policiais abusadores conseguem se evadir por anos, explorando o medo que sua farda impõe. É inaceitável que crianças sejam vitimadas por aqueles que deveriam protegê-las, e isso reforça a necessidade de reformas profundas na formação e fiscalização das forças de segurança, além de maior apoio psicológico às vítimas.















