A confirmação da aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil pelos Estados Unidos — oficializada na quarta-feira, 15, após uma detalhada investigação comercial — gerou forte reação no setor produtivo nacional. Diante do novo cenário econômico global, a Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) emitiu um posicionamento oficial em conjunto com o seu Centro Internacional de Negócios (CIN) e o seu Observatório da Indústria, avaliando os reais impactos da medida na balança comercial paraense e defendendo saídas diplomáticas.
A entidade reiterou seu alinhamento com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), posicionando-se a favor da manutenção do diálogo bilateral entre Washington e Brasília. De acordo com a FIEPA, o foco agora é monitorar de perto as consequências do “tarifaço” e trabalhar de forma articulada com governos estadual e federal a fim de mitigar possíveis prejuízos às cadeias produtivas locais.
O impacto nas relações comerciais Pará – EUA
Uma Nota Técnica conjunta do CIN e do Observatório da Indústria analisou as trocas comerciais entre o Pará e o mercado norte-americano no primeiro semestre de 2026. Os dados revelam que o período já vinha apresentando um redesenho significativo:
- Exportações paraenses em queda: No primeiro semestre deste ano, as exportações do Pará aos EUA somaram US$ 416,7 milhões, registrando uma queda de 29,9% em relação aos primeiros seis meses de 2025.
- Importações em alta: No caminho inverso, as compras de produtos norte-americanos pelo estado subiram 26,6%, alcançando o montante de US$ 590,2 milhões.
- Déficit comercial: Com o descompasso entre compras e vendas, a balança comercial bilateral inverteu-se: de um superávit paraense de US$ 128,6 milhões em 2025, o estado passou a registrar um déficit de US$ 173,5 milhões no primeiro semestre de 2026.
Apesar do recuo nas vendas, a FIEPA pondera que a queda de quase 30% nas exportações de janeiro a junho não pode ser atribuída exclusivamente às recentes tensões tarifárias, uma vez que flutuações severas semelhantes já haviam sido registradas em períodos anteriores, como na retração de 23% vista entre 2022 e 2023. Os EUA continuam sendo o principal parceiro fornecedor de insumos e maquinários industriais para o Pará.
Isenções estratégicas amortecem o golpe para a economia local
Nem tudo é má notícia para o setor produtivo regional. O decreto do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) incluiu uma ampla lista de exceções para aliviar o impacto sobre matérias-primas cruciais. E o Pará foi diretamente beneficiado:
Produtos isentos: Itens estratégicos da pauta paraense continuam completamente livres da sobretaxa de 25%, incluindo o açaí, o ferro fundido, pescados diversos (como crustáceos e lagostas), além de aço e carne bovina.
O trunfo do açaí paraense
Destaque absoluto na pauta de exportações, o açaí paraense manteve sua competitividade intocável no mercado internacional. O decreto do governo dos EUA enquadrou o fruto na categoria de alimentos que não podem ser cultivados em solo americano de maneira viável ou em escala suficiente, garantindo sua isenção expressa das tarifas.
- Desempenho no semestre: Entre janeiro e junho de 2026, o Pará exportou 9.470 toneladas de produtos derivados do açaí aos EUA, movimentando US$ 37,4 milhões.
- Liderança do suco: O principal subproduto exportado foi o “suco (sumo) de outras frutas, não fermentado e sem açúcar” (NCM 20098990), que representou US$ 21,2 milhões (56,7% do total enviado).
O próximo passo: monitoramento e articulação
Embora as isenções tragam alívio temporário para setores vitais como a fruticultura e a mineração extrativa, a FIEPA reconhece que a escalada protecionista no ambiente externo gera forte insegurança para investidores e desconfiança sistêmica no mercado global.
A federação assegurou que continuará agindo junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e demais canais oficiais para blindar a cadeia produtiva estadual de novos impactos comerciais. A nova tarifa norte-americana tem previsão de entrar em vigor oficialmente no dia 22 de julho de 2026.















