Mães de recém-nascidos internados no Hospital Regional Dr. Abelardo Santos, no distrito de Icoaraci, em Belém, denunciaram à equipe de reportagem do portal Ver-o-Fato uma série de falhas no atendimento prestado pela unidade. Entre os relatos estão supostos erros médicos, atrasos em procedimentos, cirurgias consideradas desnecessárias e dificuldades de permanência de familiares durante a internação.
Uma das denúncias é de Rosimery Cordovil da Silva, mãe da bebê Laura Maria, de quatro meses. Segundo ela, a filha nasceu com laringomalácia grave, uma alteração congênita da laringe que pode causar dificuldade respiratória em recém-nascidos. Desde o nascimento, a criança enfrentou entraves para a realização de exames especializados.
“A Laura nasceu com uma laringomalácia grave e, mesmo tentando fazer todos os exames, eu não consegui. Não tinha vaga, não tinha profissional”, relatou a mãe.
Após um episódio de agravamento respiratório, a bebê desenvolveu pneumonia, foi internada na UTI pediátrica e precisou ser intubada. Durante a internação, foi realizada uma videolaringoscopia, exame que utiliza uma microcâmera para avaliar a laringe e as vias aéreas superiores. Como o quadro não apresentou melhora, a equipe médica optou por uma traqueostomia, procedimento cirúrgico em que é feita uma abertura na traqueia para permitir a respiração.
“O pedido da cirurgia definitiva ficou no sistema, mas depois a Sespa mandou o hospital retirar. Eu já tentei até no particular e não consegui. Não tem onde fazer”, afirmou Rosimery.
A mesma mãe também relatou que a filha necessita de uma cirurgia supraglótica, também chamada de supraglotoplastia. O procedimento é indicado em casos graves de laringomalácia para corrigir alterações na parte superior da laringe e melhorar a respiração.
“Disseram que essa cirurgia não é feita no Pará. Minha filha precisou fazer uma traqueostomia de emergência para poder esperar, mas o pedido foi colocado no sistema e depois mandaram retirar”, disse.
Mais denúncias
Outro caso envolve o bebê Nicolas Wesley Monteiro, de dois meses, filho de Amanda Monteiro. Segundo a mãe, o filho está internado desde o nascimento e passou por diversas intercorrências ao longo do período.
“Deram uma medicação que não era do meu filho. Ele ficou o dia todo apagado. Depois disso, começou a convulsionar”, denunciou.
Amanda também questiona a realização de uma gastrostomia, procedimento cirúrgico que cria uma abertura no abdômen para alimentação direta no estômago, geralmente indicado quando o paciente não consegue se alimentar pela boca.
“Disseram que meu filho nunca ia engolir. Hoje, com acompanhamento da fono, ele já está se alimentando pela boca. Mesmo assim, fizeram a cirurgia”, afirmou.
Além das questões médicas, uma quarta mãe, Ilzeth dos Santos, relatou dificuldades enfrentadas durante a internação da filha, de dois meses. Segundo ela, a família é do interior do estado e enfrenta resistência da assistência social do hospital para que ambos os pais permaneçam acompanhando a criança.
“A gente é do interior, não tem condição de pagar hotel. Nosso lugar é aqui, com nossa filha”, desabafou.
As mães pedem providências, revisão dos procedimentos adotados, garantia de acesso aos tratamentos necessários e mais acolhimento às famílias de recém-nascidos internados.
A equipe de reportagem do Ver-o-Fato entrou em contato com as assessorias de comunicação do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos e da Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa) e aguarda retorno em nota para atualização da matéria.















