A família de um paciente de 81 anos, identificado como João Corrêa de Oliveira, denuncia dificuldades no acompanhamento médico e questiona as altas hospitalares concedidas ao idoso após uma cirurgia realizada no Hospital Maradei, no bairro de Nazaré, em Belém.
Segundo a filha do paciente, o idoso apresenta sangramento persistente desde o procedimento e precisou retornar diversas vezes à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jurunas.
De acordo com o relato, o paciente sofreu uma queda no dia 9 de abril e deu entrada na UPA do Jurunas. A família afirma que diante da falta de leitos, precisou recorrer à Justiça para conseguir a transferência para uma unidade hospitalar.
“Depois de 17 dias eu consegui um leito no Maradei, judicialmente”, relatou a filha.
O procedimento cirúrgico foi realizado no dia 22 de maio. Segundo ela, na manhã seguinte o médico responsável pela cirurgia teria informado que o paciente receberia alta. No entanto, posteriormente, profissionais da equipe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) teriam comunicado que ele permaneceria internado devido a alterações nos exames laboratoriais e à necessidade de reposição de sangue e sódio.
A familiar afirma que no dia seguinte, o paciente recebeu alta e retornou para casa ainda apresentando sangramento na região operada.
“Chegamos em casa, a cirurgia sangrando. Sangrou desde o dia que nós chegamos em casa”, disse.
A situação, segundo ela, levou a novos retornos à unidade de saúde. Em uma das ocasiões, a família teria sido orientada a retornar para casa após a realização de curativos. No entanto, ainda dentro das dependências do hospital, o quadro teria se agravado.
“Quando eu olhei, meu pai começou a tremer. Ele estava ensopado de sangue pela cirurgia”, afirmou.
A filha relata que o pai voltou a ser internado em razão da redução dos níveis de sódio no organismo, mas sustenta que o principal problema continuava sendo o sangramento decorrente da cirurgia.
“Não existe uma cirurgia que foi feita dia 22 sangrar até hoje”, declarou.
Outro ponto questionado pela família é a suposta falta de avaliação do paciente por parte do médico responsável pelo procedimento durante os períodos de internação posteriores.
“Nenhum momento o médico foi avaliar ele. Ele continua sangrando e ninguém vem avaliar ele”, afirmou.
Ainda segundo a denunciante, a família tentou obter informações junto ao serviço social, à direção da unidade e acesso ao prontuário médico, mas não teria conseguido. Diante da situação, ela acionou a Polícia Militar para registrar a ocorrência e buscar esclarecimentos.
Em nota ao portal Ver-o-Fato, o Hospital Maradei explicou o seguinte:
Em relação à denúncia divulgada sobre a suposta alta hospitalar de paciente com ferida sangrando, o Hospital esclarece que a informação não procede.
Informamos que o paciente deu entrada na unidade em 22/05/2026, proveniente da UPA Jurunas, após sofrer queda da própria altura em sua residência. No mesmo dia, foi submetido a procedimento cirúrgico para colocação de prótese bipolar no quadril direito, recebendo alta hospitalar em 24/05/2026, consciente, orientado e com curativo sem sinais de sangramento.
No dia 07/06/2026, o paciente retornou ao hospital apresentando queixa de sangramento no local da cirurgia. Foi atendido pelo médico ortopedista do plantão e seguiu internado para avaliação com o médico cirurgião, programada para o dia 08/06/2026, data em que foi indicada nova abordagem cirúrgica, programada para o dia 09/06/2026.
O Hospital ressalta que, em nenhum momento, foi prescrita ou programada alta hospitalar durante esta internação. A informação sobre uma suposta alta teria sido repassada equivocadamente por familiar que acompanhava o paciente, o que levou outro familiar (a filha) a acionar a Polícia Militar sob alegação de negligência e negativa de atendimento.
Ao comparecer à unidade, a Polícia Militar foi devidamente informada sobre a situação clínica e assistencial do paciente, constatando que ele permanecia internado, recebendo toda a assistência necessária, não havendo qualquer negativa de atendimento.
A família também foi orientada de que o médico cirurgião responsável estava a caminho da unidade para avaliação do paciente e posterior atualização do boletim médico, o que efetivamente ocorreu.
O paciente permanece internado, sob acompanhamento da equipe médica, recebendo toda a assistência necessária. Ressaltamos ainda que se trata de um paciente idoso, portador de comorbidades importantes, incluindo hipertensão arterial sistêmica e histórico de neoplasia de próstata.
Desta forma, o Hospital reafirma seu compromisso com a segurança, a qualidade assistencial e a transparência na prestação de informações aos pacientes, familiares e à sociedade.














