O Ministério Público Federal (MPF) abriu em janeiro de 2025 um inquérito para apurar “possíveis irregularidades” na aplicação, pelo Governo do Pará, de R$ 5 milhões investidos em um convênio no setor de saúde do estado.
Segundo a investigação, os recursos destinados a Belém acabaram sendo remetidos pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) para outra cidade: Santo Antônio do Tauá.
A apuração foi aberta porque os investigadores consideraram que “há indícios de improbidade administrativa” no caso. “Há necessidade de realização de diligências para melhor avaliar as irregularidades apontadas”, disse o MPF na época.
Quase 1 ano e meio depois um novo episódio envolvendo os mesmos personagens levanta suspeitas e deixa populares com “a pulga atrás da orelha”.
No último dia 12 de maio, o Diário Oficial do Estado anunciou um repasse três vezes maior para um hospital de Santo Antônio do Tauá, no valor de R$ 15.248.762,40.
Coincidentemente, o repasse da Sespa vai para o mesmo local: o Hospital e Maternidade Santo Antônio Univida Tauá, que nas redes sociais é alvo de muitas críticas, por sua estrutura precária e péssimos atendimentos, segundo pacientes.
O hospital, segundo populares da cidade, tem ligações com a famosa família Parente, que tem Carla Parente (PSD) como pré-candidata a deputada federal e segundo as fontes, virá com uma campanha considerada milionária.
Carla Parente possui um histórico de processos no Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Muitos desses registros estão ligados a prestação de contas, impugnações ou denúncias feitas por promotores eleitorais durante suas candidaturas, como a de prefeita em Viseu, nas eleições de 2024, quando foi derrotada por Cristiano Vale (PP). Em 2016, ela chegou a ser condenada à inelegibilidade por irregularidades eleitorais.
Em meio a tantas incertezas e repasses considerados no mínimo suspeitos, populares clamam por transparência em uma pasta tão importante como a da saúde.
A equipe de reportagem do portal Ver-o-Fato tentou contato com a assessoria do hospital, mas sem sucesso. O espaço segue aberto para manifestações de todos os citados na matéria.
Da mesma forma, entramos em contato com a Sespa, que nos respondeu com a seguinte nota:
”A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) esclarece que não houve repasse de R$ 15 milhões ao Hospital Maternidade Santo Antônio Univida Tauá.
O valor citado refere-se ao valor total de um convênio firmado com a unidade para ampliar a oferta de atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Região de Saúde Metropolitana II, especialmente no município de Santo Antônio do Tauá. O convênio prevê a realização de consultas, exames, internações e outros serviços hospitalares para a população.
A Sespa informa que esse valor não é pago de uma única vez. Os pagamentos são realizados mensalmente, conforme os serviços prestados pela unidade. Atualmente, o valor mensal do convênio é de R$ 1.270.730,20.
A Secretaria ressalta que a contratação segue todos os trâmites administrativos e legais e tem como objetivo complementar a rede pública de saúde, garantindo a continuidade da assistência aos usuários do SUS na região.
Já o Ministério Público Federal mantém a investigação sob segredo de justiça















