O que se repete em Abaetetuba não é um episódio isolado — é a continuidade de um histórico preocupante que envolve a atuação da Minerva Foods no Pará. Mais uma vez, denúncias de crime ambiental colocam a empresa no centro de um cenário de degradação, sofrimento humano e possível negligência institucional.
Na comunidade Igarapé Curuperé Grande, em Abaetetuba, moradores relatam um cotidiano marcado por indignação e medo. O que deveria ser um ambiente de vida e sustento transformou-se em um espaço contaminado. Segundo as denúncias, a Fazenda Sol Nascente — anteriormente vinculada à Minerva — estaria realizando o descarte irregular de dejetos bovinos, atingindo diretamente o manancial que abastece a comunidade.
A consequência é devastadora: água imprópria para consumo, mau cheiro constante e uma população inteira exposta a riscos sanitários. Crianças, idosos e trabalhadores convivem com doenças e sintomas que, segundo os relatos, têm relação direta com a poluição. Não se trata apenas de dano ambiental — é uma violação frontal da dignidade humana.
A gravidade do caso exige mais do que indignação: exige ação. A omissão das autoridades diante de evidências e do sofrimento coletivo é, no mínimo, alarmante. O silêncio institucional, neste contexto, se aproxima perigosamente da conivência.
E não é a primeira vez
A memória recente do Pará ainda carrega as marcas do desastre envolvendo o navio MV Haidar, que naufragou em 2015 no porto de Vila do Conde, em Barcarena. A embarcação, que transportava cerca de 5 mil bois vivos destinados à exportação — em operação ligada à Minerva — afundou, provocando um dos episódios mais chocantes de impacto ambiental e sanitário da região.
Carcaças de animais em decomposição, contaminação da água e um rastro de danos que até hoje ecoa na memória da população local.
O paralelo é inevitável. Quando episódios dessa natureza se repetem, deixam de ser acidentes e passam a indicar um padrão que precisa ser investigado com rigor.
Diante disso, é urgente a intervenção do Ministério Público do Estado do Pará e do Ministério Público Federal, com a devida apuração dos fatos, responsabilização dos envolvidos e adoção de medidas imediatas para conter os danos. A comunidade de Abaetetuba não pode continuar sendo tratada como invisível.
Até quando vidas serão tratadas como descartáveis em nome de interesses econômicos?
A reportagem do Ver-o-Fato tenta contato com a Minerva Foods para obter esclarecimentos sobre as denúncias. Até o fechamento deste texto, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestação da empresa. Com imagens do repórter The Otaciano.
Atualização
A Assessoria da Minerva Foods enviou a seguinte nota:
“A Minerva Foods descontinuou a operação de gado vivo e a Fazenda Sol Nascente não pertence à empresa.”
IMAGENS DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL:















