“Atenção todas as aeronaves na escuta da Torre Protásio. Informo que esta é a última transmissão da Torre Protásio. Os controladores da Torre Protásio agradecem por todos esses anos de colaboração, cortesia e parceria. Aeródromo este que, juntamente com seus hangares residentes Taba, Kovacs, Tema, Marta e Aero Clube ajudou a formar várias carreiras, personalidades, amizades e grandes profissionais na aviação”, diz a voz do controlador de voo.
Foi a última mensagem – cuja íntegra o Ver-o-Fato teve acesso -, marcando historicamente o encerramento definitivo das atividades do aeroporto Protásio de Oliveira, localizado ao lado da avenida Júlio César, em Belém. A área foi utilizada durante 45 anos ininterruptos para pouso e decolagem de aviões de pequeno porte.
“Sempre lembraremos dos momentos de aprendizado, Na primazia da frequência 118-3 e agora levamos conosco a sua história para que jamais seja esquecida. A Torre Protásio, muito respeitosamente, deseja a todos um Feliz Ano Novo e um ótimo 2022. E, agora, frequência livre pra sempre”, resume a mensagem do controlador da torre.
No local, o governo do Pará construirá o Parque da Cidade. O Aero Clube do Pará, que mantinha na área uma escola de pilotos, deverá funcionar em outro local ainda definido, provavelmente na região metropolitana de Belém.
A portaria de fechamento do aeroporto foi divulgada em meados deste mês pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). O acordo de transferência da área para o governo estadual foi assinado em março deste ano pelo Ministério da Infraestrutura (MInfra. O Protásio de Oliveira servia à aviação geral e executiva de pequeno porte, que abrange destinos diversos, como o arquipélago do Marajó, outras regiões do Pará e municípios de estados vizinhos, transportando turistas, autoridades, valores e enfermos.
O Aeroclube de Belém existe há 84 anos. Ele foi fundado em 1937 e se destina à formação de pilotos civis. Foi transferido para o Parque Aeronáutico de Belém em 1945, quando passou a ter uso exclusivamente militar. Apenas em agosto de 1976 o aeródromo foi homologado e aberto ao tráfego aéreo civil, quando passou a ser explorado comercialmente. A Infraero assumiu a administração do terminal em 1980, permanecendo na gestão até hoje.
De acordo com a Infraero, o aeroporto Brigadeiro Protásio, movimentava, anualmente, uma média de 28.750 passageiros, 23.144 voos e 57.090 quilos de carga aérea. Somadas as empresas que operam o sistema aeroportuário, o pessoal que trabalha no sistema aeroportuário representava uma população fixa de 106 pessoas.
A última mensagem da torre de controle do Aeroclube do Pará, ao por do sol desta desta-feira, 31, teve o simbolismo de um adeus.
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