Leonardo Siqueira Alves, de 26 anos, teria usado a confiança de empresários para movimentar contas e transferir dinheiro para pessoas ligadas a ele; caso também envolve acusações de golpe contra o próprio pai
O brasiliense Leonardo Siqueira Alves, de 26 anos, é investigado por uma série de crimes envolvendo desvios milionários e estelionato no Distrito Federal. Segundo as investigações, o jovem teria se aproveitado da confiança de familiares e empresários para movimentar grandes quantias de dinheiro e, posteriormente, manter uma rotina de luxo incompatível com o salário que recebia.
O caso veio à tona em julho de 2026, depois que Leonardo simulou o próprio desaparecimento durante uma suposta viagem a São Paulo. Ele teria dito que iria ao estado para negociar a venda de um automóvel, mas ficou cinco dias sem dar notícias, mobilizando familiares e autoridades do Distrito Federal e de São Paulo.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) conseguiu localizar o jovem com vida. Pouco depois, porém, o pai dele procurou a polícia e relatou que havia sido vítima de um golpe financeiro praticado pelo próprio filho.
Pai teria perdido cerca de R$ 1 milhão
Segundo o depoimento registrado na polícia, Gabriel Alves dos Santos, aposentado, confiou ao filho a administração de aproximadamente R$ 1 milhão, valor acumulado ao longo da vida com recursos da aposentadoria e a venda de um imóvel da família.
O dinheiro foi colocado em contas no Brasil e no exterior para que Leonardo pudesse realizar aplicações e outras movimentações financeiras. A situação mudou em março de 2026, quando o jovem teria começado a fazer retiradas sem autorização.
Um consultor financeiro teria alertado Gabriel sobre uma movimentação de R$ 63.812,46 em uma das contas. Questionado pelo pai, Leonardo prometeu esclarecer o que havia acontecido, mas deixou de responder posteriormente.
De acordo com o relato, ele também teria vendido um automóvel pertencente ao pai antes de desaparecer.
Funcionário ganhou acesso às contas de empresa
Mesmo diante desse histórico, Leonardo conseguiu emprego em uma empresa de um empresário do Distrito Federal que conhecia sua família.
Segundo as investigações, o empresário passou a confiar cada vez mais no funcionário. Leonardo teria recebido senhas e acesso às contas bancárias da empresa, além de ser treinado para movimentar valores elevados e acompanhar o fluxo de caixa.
Foi justamente esse acesso que, conforme a apuração policial, teria sido utilizado para realizar transferências não autorizadas.
O dinheiro teria sido enviado para contas de pessoas próximas a Leonardo e para empresas ligadas a amigos dele, incluindo uma loja de veículos.
Carros de luxo e festas chamaram atenção
A mudança no padrão de vida do funcionário também teria despertado suspeitas.
Apesar de receber aproximadamente R$ 5 mil por mês, Leonardo passou a circular com veículos considerados de alto padrão, entre eles uma Range Rover Velar e um Audi, além de outros automóveis de valor elevado.
O jovem também teria se tornado presença frequente em festas e eventos exclusivos. Conforme as informações levantadas durante a investigação, ele costumava pagar bebidas para amigos, com gastos que chegavam a R$ 900 em uma única noite.
As autoridades apuram ainda a suspeita de que parte do dinheiro desviado das empresas teria sido utilizada para empréstimos com cobrança de juros.
Após identificar inconsistências nas contas, o empresário demitiu Leonardo e realizou uma análise detalhada das movimentações financeiras. O levantamento apontou um possível prejuízo superior a R$ 1 milhão.
O caso passou a ser investigado pela 21ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Sul.
Outro empresário também teria sido vítima
As investigações apontam que esse não seria o único caso envolvendo Leonardo.
Cerca de seis anos antes, ele teria sido contratado por outro empresário do Distrito Federal para trabalhar como assessor pessoal. Por ser sobrinho do sócio do empresário, o jovem teria conquistado um alto nível de confiança e recebido acesso às contas pessoais e empresariais do chefe.
Leonardo seria responsável por pagamentos, recebimentos e outras movimentações financeiras. Ele também teria recebido uma procuração pública para representar a empresa perante órgãos públicos.
Segundo a investigação, o principal desfalque teria ocorrido durante um período de oito meses, entre fevereiro e outubro de 2024, quando o empresário esteve ausente.
Na ocasião, as contas do empresário estavam bloqueadas e outro sócio enviava dinheiro em espécie para custear as despesas da empresa. Leonardo teria se apropriado de parte desses valores e também realizado transferências da conta jurídica para uma conta pessoal.
O prejuízo estimado nesse caso também seria de aproximadamente R$ 1 milhão.
Investigação apura série de golpes
Com diferentes denúncias e investigações envolvendo movimentações financeiras, a Polícia Civil apura agora a extensão dos supostos golpes e o destino do dinheiro.
O caso ganhou repercussão depois que o desaparecimento de Leonardo, inicialmente tratado como uma possível situação de risco, acabou revelando um histórico de suspeitas financeiras que teria começado dentro da própria família.
As acusações ainda são objeto de investigação, e a responsabilidade criminal do suspeito deverá ser definida pela Justiça.
Com informações de Metrópoles














