O ex-diretor de redação Juca Kfouri revelou bastidores da revista Playboy e destacou restrições editoriais impostas pela matriz americana, além de episódios marcantes durante sua gestão, incluindo a negociação para um ensaio com a atriz Bruna Lombardi, que estampou a capa da edição de março de 1991 após anos de tentativas.
Por causa de uma imposição da Playboy americana, detentora da marca, alguns assuntos eram proibidos de serem tratados nas edições da revista publicadas em diversos países do mundo. No Brasil, onde foi lançada em 1975, não era diferente. Ainda assim, a versão brasileira acabaria se tornando pioneira ao romper uma dessas restrições.
“A ‘Playboy’ brasileira foi a primeira a quebrar a apólice da ‘Playboy’ de Chicago ao falar de camisinha em plena era da Aids. A primeira reportagem que chegou à minha mesa era sobre sexo coletivo e não tinha uma referência sequer à camisinha. Eu chamei o editor e ele riu na minha cara, dizendo que tinham três assuntos proibidos na ‘Playboy’: arma porque a revista é a favor da vida, calvície e não se associa prazer e sexo a doença. Então, não se fala de camisinha”, lembrou Juca Kfouri durante participação no Alt Tabet, no YouTube.
À frente da revista por quatro anos, o jornalista relatou que conseguiu autorização do empresário Hugh Hefner para a publicação da reportagem com foco no uso de camisinha. O material acabou sendo reconhecido e premiado pela Organização Mundial de Saúde na época.
Outro momento de destaque citado por Kfouri foi a negociação com Bruna Lombardi. Após cerca de 15 anos de convites, a atriz aceitou participar de um ensaio para a revista, tornando-se capa de uma edição dupla em março de 1991.
Segundo o ex-diretor, a atriz era um dos nomes mais solicitados pelos leitores e teve autonomia durante o processo. Ela escolheu o fotógrafo, a locação — a ilha francesa de St. Barth, no Caribe — e as imagens que seriam publicadas, além de exigir sigilo absoluto sobre o ensaio.
“Participei da negociação de três ou quatro futuras capas. Acho que a que deu certo realmente foi a Bruna Lombardi. Com a Glória Pires, não teve jeito. Ela queria um apartamento em frente à praia como cachê”, afirmou.
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