Servidores públicos do estado e dependentes, que precisaram de atendimento e de exames médicos, nesta segunda-feira (23), em alguns hospitais, clínicas e laboratórios conveniados, como o Porto Dias, por exemplo, afirmam que levaram a porta na cara e um sonoro “não”, porque o Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Pará (Iasep) não está pagando pelos serviços.
De acordo com os servidores, o calote patrocinado pelo Iasep, que é presidido por Bernardo Albuquerque de Almeida, já se prolonga há meses, apesar dos descontos estarem sendo feitos religiosamente nos contracheques dos funcionários, gerando uma arrecadação mensal de alguns milhões de reais ao instituto.
O mais novo prestador de serviço que deixou de atender pelo plano do Iasep, o Hospital Porto Dias, localizado na Avenida Almirante Barroso, no Bairro do Marco, em Belém, era muito solicitado pelos servidores e seus dependentes pela variedade de serviços prestados.
Antes do Porto Dias, o grupo de clínicas Cynthia Charone havia cortado o atendimento, também por falta de pagamento do instituto. Mas além deles, muitas clínica se laboratórios também deixaram de atender o plano do Iasep pelo mesmo motivo.
Descontos e vergonha
A indignação dos servidores públicos é que alguns descontos superam mil reais e apesar das reclamações e denúncias, nem o governador Helder Barbalho (MDB), nem o procurador-geral do Estado, ou o MP tomam providências.
“A gente passa a maior vergonha, na frente das outras pessoas, e tem que voltar para casa sem conseguir atendimento. É muita falta de responsabilidade do governador e do presidente do Iasep, porque nós pagamos em dia e somos obrigados a passar por esses transtornos”, desabafou um servidor que não será identificado.
A situação precária do plano do Iasep se estende por todo o estado. Em Castanhal não é diferente e muitos servidores que buscam amparo nos prestadores de serviços já sentem há nove meses o efeito do calote do instituto. Nos municípios polos, a situação é idêntica. Longas filas, transtornos e um “não” na hora de pedir consulta ou exame.
“Para onde vai todo esse dinheiro descontado dos nossos contracheques?” é a pergunta repetida centenas de vezes, mas a resposta não aparece.
Aonde está o dinheiro?
O Iasep é o plano de saúde dos servidores estaduais. De acordo com os funcionários, todos os meses são descontados 9% dos salários no contracheque de todos os servidores aderentes ao plano.
Mesmo assim, o governo do estado está inadimplente há vários meses com hospitais e diversas clínicas credenciadas.
Conforme um servidor explicou, o Iasep atende a mais de 240 mil segurados em todo o Estado e desde 2020 vinha atravessando uma crise em sua manutenção.
Alegando dívidas de mais de 200 milhões de reais com prestadores de serviços, o plano teve aprovado pela Assembleia Legislativa do Pará, no final de 2020, um reajuste de 50% na contribuição dos servidores, passando de uma contribuição de 6% para 9% sobre os salários.
Com esse reajuste, o Instituto teve um acréscimo em sua arrecadação de cerca de R$ 250 milhões somente no primeiro ano, afirmou o servidor, que não será identificado a pedido.
O Ver-o-Fato tentou ouvir a direção do Porto Dias sobre a suspensão do atendimento aos segurados do Iasep, mas não obteve resposta, apesar de ter enviado mensagem por aplicativo. O espaço está aberto.















