Um registro considerado excepcional por pesquisadores revelou duas lulas-gigantes do misterioso gênero Magnapinna nadando juntas nas profundezas do Oceano Atlântico. As imagens foram captadas durante uma expedição científica realizada pelo Instituto Oceânico Schmidt, dos Estados Unidos, e representam um dos mais raros registros já feitos desse grupo de cefalópodes, conhecido por sua aparência incomum e pelos poucos avistamentos registrados em todo o mundo.
Encontrar uma única lula-gigante do gênero Magnapinna nas profundezas do oceano já é considerado um acontecimento extraordinário. No entanto, registrar duas delas juntas, em imagens de alta definição, torna o feito ainda mais raro, segundo a equipe responsável pela expedição.
Os animais foram filmados a aproximadamente 4.300 metros de profundidade, na Zona de Fratura de Doldrums, uma extensa cadeia de montanhas submarinas localizada ao norte da linha do Equador, onde placas tectônicas se encontram. A região se estende por mais de 16 mil quilômetros e é conhecida por sua intensa atividade geológica, além da biodiversidade ainda pouco explorada pelos cientistas.
As imagens foram obtidas pelo veículo submarino operado remotamente (ROV) SuBastian, que registrou duas lulas-gigantes-de-barbatana-grande Magnapinna. O grupo é considerado um dos mais misteriosos entre os cefalópodes conhecidos pela ciência. Até hoje, apenas algumas dezenas de avistamentos desse gênero foram documentados em todo o planeta, o que faz do encontro duplo um acontecimento excepcional para os pesquisadores.
Além da raridade do registro, as novas imagens oferecem uma visão muito mais detalhada desses animais. Graças à melhor iluminação e à alta resolução das filmagens, foi possível observar a anatomia das lulas com maior clareza. As imagens também permitiram perceber que a aparência assustadora frequentemente associada ao animal era, em grande parte, consequência das limitações tecnológicas presentes nas filmagens realizadas anteriormente.
O cientista-chefe da expedição Doldrums e pesquisador sênior do Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI), Aaron Micallef, destacou a importância científica da descoberta em comunicado publicado no Instagram.
“Mesmo no Oceano Atlântico, onde os limites das placas tectônicas são estudados há décadas, ainda existem lugares onde uma primeira observação atenta pode revelar algo totalmente novo”, afirmou.
O pesquisador também ressaltou que a expedição reforça o quanto os oceanos ainda guardam mistérios a serem descobertos.
“Esta expedição mostrou que mesmo num dos cantos mais remotos do oceano, o nosso planeta permanece vivo, dinâmico e cheio de surpresas”, declarou.















