Governo do DF precisa aportar R$ 4 bilhões no BRB sob risco de intervenção
Brasília – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comunicou à diretoria do Banco Regional de Brasília (BRB) a necessidade urgente de um aporte de R$ 4 bilhões por parte do Governo do Distrito Federal (GDF) para a instituição. A exigência, visa recompor o patrimônio do banco estatal e evitar uma possível intervenção federal, um cenário que surge como desdobramento das operações envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master.
A crise patrimonial do BRB, que levou ao ultimato do Ministério da Fazenda nesta segunda-feira (19), está diretamente ligada às transações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal apontaram indícios de que o Banco Master teria comercializado R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que seriam inexistentes ao BRB. Este volume de operações suspeitas acendeu um alerta para a saúde financeira do banco distrital.
Em um depoimento esclarecedor realizado no fim do ano passado no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, declarou que a instituição não obteve êxito na recuperação de aproximadamente R$ 2 bilhões aportados no Banco de Vorcaro.
Esta incapacidade de recuperação ocorreu antes que o Banco Central decretasse a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, solidificando a dimensão do rombo patrimonial.
Diante do cenário de insuficiência patrimonial, o governo federal, por meio do ministro Haddad, considera indispensável a injeção de recursos pelo acionista controlador do BRB, que é o Governo do Distrito Federal, sob a gestão de Ibaneis Rocha (MDB).
O objetivo é sanar o desequilíbrio financeiro provocado pelas operações questionáveis. Conforme noticiado na semana anterior, o próprio BRB já havia admitido a possibilidade de receber aportes para cobrir os prejuízos potenciais relacionados a essas operações.
Em resposta às recentes comunicações do Ministério da Fazenda e às preocupações levantadas, o BRB divulgou uma nota assegurando a solidez de suas operações. O banco informou que trabalha em colaboração diária com o Banco Central e que todas as operações sob escrutínio, no âmbito da Operação Compliance Zero, estão sendo objeto de uma investigação forense independente. Esta apuração está a cargo do escritório Machado Meyer, com suporte técnico da empresa de auditoria Kroll.
O BRB reforça seu compromisso com a transparência e a governança, indicando que os possíveis prejuízos resultantes da compra de carteiras do Banco Master ainda estão sob análise tanto do Banco Central quanto da auditoria independente.
A instituição afirma possuir um plano de capital que prevê o uso de diversos instrumentos de recomposição de capital, caso os prejuízos sejam confirmados. Em sua nota, o BRB reafirma sua solidez, destacando um patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões e um patrimônio de referência de R$ 6,5 bilhões, operando normalmente e garantindo a continuidade de todos os serviços financeiros.
A situação coloca em destaque a vulnerabilidade do sistema financeiro diante de transações irregulares e a responsabilidade dos entes federativos na gestão de suas instituições bancárias. Até o momento não houve corrida de correntistas para sacar os valores que mantem no banco, e o movimento está sendo monitorado pela autoridades monetária.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.














