E para desespero da metrópole colonizadora, centralizadora, ladra de costumes, gírias e frutos, o Amapá se insurgiu. O chefe da revolta, ou melhor, a chefe, é uma blogueira que teve a proeza de pensar uma falsa polêmica para alcançar grande número de likes. Lacração da pura.
Se no começo ela conseguiu a visibilidade que queria, agora vai encarar o ônus de unificar os paraenses em torno de uma pauta de defesa objetiva e subjetiva do nosso estado. O que geralmente acontece contra alguém do sudeste, envolvendo o açaí, agora é com um estado que faz fronteira. As redes sociais são o campo de batalha.
Nos acusaram de querer monopolizar a cultura nortista, de querer ser dono do “Égua” e resumir tudo à nossa culinária, dentre outras coisas. Aliás, falar “Égua” pode virar politicamente incorreto pois virou gatilho e a blogueira pode se sentir triste, égua, digo, poxa! Estou em desconstrução, tenham calma.
A falsa polêmica é um método impecável da lacração na internet. Mas dessa vez não levou em consideração nem que o Pará seja o segundo maior estado da nação, que tenha uma grande metrópole como Belém, que tenha a melhor integração com outras regiões e que o próprio Amapá já tenha sido parte do território paraense.
Eu nunca soube de alguém daqui que proíbe ou quer somente para nós certas gírias nortistas. Até na “rivalidade” com o Amazonas isso não acontece, aliás, até no Piauí e Maranhão – do nordeste – se fala o Égua e outras variações.
A gente quebra o pau pelo Açaí sim, mas aí já é uma briga contra certas falas e misturas do povo lá de baixo. Nunca vi alguém daqui preocupado se no Amapá se toma açaí com ou sem açúcar, com ou sem farinha, se é ou não almoço.
Quer falar de futebol? Bom, aí já é uma coisa mais prática, pois não temos 5 títulos de campeonato brasileiro pra esfregar na cara de irmãos do norte. Apenas somos melhores nesse aspecto. E quanto ao nosso estádio não estar no meio do mundo, a verdade é que vamos ao jogo pensando apenas no churrasquinho de gato e na cerveja gelada, pouco importando a localização geográfica do caldeirão, muito embora fosse bom que estivesse mais próximo aos polos, pois assim não faria tanto calor e a breja não ficaria quente.
Esse texto é pra deixar claro que se trata de uma falsa polêmica, pois todo mundo já sabe que a Fafá é de Belém, que o Círio é na Av. Nazaré, que nós inventamos o Égua Mano (é patenteado, inclusive), que nós somos o centro do mundo e só aqui se come a farinha de Bragança e a maniçoba raíz. Tá bom, brincadeira.
Mas mana, aceita que dói menos, já ganhou seus likes e agora “pega o beco” (esse aqui é nosso sim, nasceu ali nos becos do jurunas).















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