A fábula “A Nova Roupa do Rei”, do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, publicada em 1837, expõe a hipocrisia e a vaidade humanas. Um rei vaidoso é enganado por malandros tecelões que fingem confeccionar uma roupa visível apenas aos inteligentes. Temerosos de parecerem tolos, o rei e seus súditos fingem admirar a roupa inexistente.A verdade é revelada por um menino, que, com coragem e simplicidade, grita que “o rei está nu”, desmascarando a ilusão coletiva e expondo a soberba e o engano.
Adaptada aos tempos atuais, a fábula de Andersen se encaixa no governo de Helder Barbalho, que enfrenta uma tormenta sem precedentes, fruto de uma gestão marcada pela ausência de diálogo, arrogância e falta de preparo para lidar com desafios críticos. Na verdade, o governador do Pará está acuado por uma série de crises que revelam a fragilidade de sua administração e colocam em xeque sua capacidade de conduzir o estado.
Há mais de 12 dias, cerca de 400 indígenas ocupam o prédio da Secretaria de Educação (Seduc), em Belém, clamando por direitos básicos e exigindo respostas. A ausência de diálogo do governo é um retrato fiel de uma postura imperial e distante, que ignora demandas históricas de populações vulneráveis.
Barbalho demonstra uma incapacidade alarmante de articular soluções para questões que exigem sensibilidade e competência política. Em vez disso, foge de protestos e refugia-se em um mundo paralelo, sem afetação, desconectando-se do mundo real de problemas e da força dos desafios.
Por outro lado, no campo educacional, a insatisfação dos professores explodiu em greves e protestos, reflexo direto dos cortes de direitos que fragilizam uma categoria já combalida. O governo não só falha em valorizar os educadores, como também aprofunda o abismo entre a gestão estadual e aqueles que sustentam a formação das futuras gerações.
Ademais, o despreparo para organizar a COP-30, um evento de relevância global, expõe a falta de visão estratégica de um governo que, apesar de buscar projeção internacional, não consegue resolver problemas internos. É lamentável que, enquanto tenta se colocar como protagonista do debate ambiental, o estado afunde em endividamento recorde de R$ 18 bilhões, gerando preocupação sobre o futuro financeiro do Pará.
A credibilidade do governo também é abalada por graves escândalos envolvendo aliados e amigos próximos de Helder Barbalho em desvios de recursos públicos. Investigações da Polícia Federal reforçam a sensação de que a corrupção é uma constante na administração estadual, corroendo a confiança da população.
Não bastasse isso, o controle da imprensa local através de vultosas verbas publicitárias revela um governo que prefere calar críticas do que enfrentá-las com trabalho e resultados. Enquanto isso, áreas essenciais como saúde e segurança pública sofrem com graves problemas, refletindo a ineficiência de uma gestão que não honra compromissos com fornecedores e compromete o funcionamento de serviços básicos.
A crescente insatisfação de aliados políticos indica que Helder Barbalho pode enfrentar dificuldades ainda maiores nas próximas eleições de 2026. As pixotadas de seu governo, incapaz de resolver questões estruturais, pode custar caro a quem se habituou à política de aparências.
O Pará merece mais do que um governo que se sustenta em bases tão frágeis. É hora de Helder Barbalho abandonar a arrogância e adotar uma postura transparente, aberta ao diálogo e comprometida com a resolução dos problemas que assolam o estado.
Caso contrário, o peso de sua ineficiência política será lembrado não apenas pelos eleitores, mas também pela história.














