A transição da carreira esportiva para a vida pública tem se tornado um caminho recorrente entre jogadores de futebol no Brasil. No Pará, especialmente em Belém, ex-atletas que marcaram época em clubes tradicionais como Remo e Paysandu também tentam transformar a visibilidade conquistada nos gramados em capital político.
Levantamentos baseados em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) indicam que a maioria dessas candidaturas se concentra em disputas para o Legislativo municipal, principalmente para o cargo de vereador.
Entre os nomes mais conhecidos está Robgol (José Róbson do Nascimento), considerado um dos maiores ídolos da história do Paysandu. O ex-jogador foi eleito deputado estadual pelo PTB em 2006, com 33.400 votos. Permaneceu no cargo até 2010, mas não voltou a exercer mandatos políticos expressivos nos anos seguintes, embora tenha sido candidato a deputado federal nas últimas eleições pelo PSD e recebendo apenas 1.184 votos.
Outro destaque é Vandick Lima (PP), herói da conquista da Copa dos Campeões de 2002 pelo Paysandu. Ele ingressou na política e exerceu três mandatos como vereador de Belém pelo Partido Progressista, sendo eleito em 2004 (8.654 votos) e reeleito em 2008 (9.835 votos) e 2012 (9.742 votos).
Em 2016 (4.795 votos), não conseguiu o quarto mandato pelo PPS. Voltou a disputar o cargo em 2020 pelo PP e novamente sem sucesso, recebeu 3.281 votos.
Outro caso relevante é o do ex-goleiro e ídolo do Remo Vinícius (Republicanos), eleito vereador de Belém em 2020 com 7.079 votos. Ele foi o 12º candidato mais votado do pleito na capital e chamou atenção por conciliar, durante parte do período, a carreira de atleta profissional com o mandato político, além de ter se tornado o único jogador profissional em atividade nas quatro principais divisões do futebol brasileiro a conseguir uma vaga no legislativo de Belém no mesmo ano.
Em 2024 na tentativa de conseguir o segundo mandato e dessa vez filiado ao MDB, o goleiro recebeu apenas 2.803 votos e ficou de fora.
Outros ex-jogadores também buscaram espaço na política local. Mesquita (PSD), com passagens por Remo e Paysandu, foi vereador em Belém entre 1982 e 1986, com mandato prorrogado até 1988. Atualmente, atua como agrônomo no estádio Mangueirão.
Já o ex-meia Eduardo Ramos, com passagens marcantes por Remo e Paysandu, chegou a ensaiar entrada na política, com tentativa de candidatura a vereador em Belém, mas sem sucesso.
O ex-atacante Zé Augusto (PSD) , ídolo bicolor e maior artilheiro do Paysandu no século XXI, com 91 gols, concorreu a vereador e deputado estadual diversas vezes. Nas eleições de 2022 foi candidato a deputado federal pelo Podemos, obtendo 6.336 votos, número insuficiente para a eleição.
Outro nome que tentou ingressar na política foi Agnaldo de Jesus (PT) conhecido como “Agnaldo Seu Boneco”. Ex-jogador e ídolo do Clube do Remo, ele concorreu ao cargo de vereador em Belém várias vezes e nas últimas eleições conquistou posição de suplente, com 4.794 votos. Após a eleição, seguiu atuando nos bastidores do futebol, em funções técnicas.
Há ainda casos de candidaturas sem sucesso, como o ex-Volante Vanderson (PRD), que jogou pelo Paysandu, sendo campeão da copa dos campeões com o clube, tentou vaga como Vereador em Castanhal, mas não alcançou votação suficiente, se tornando suplente com 194 votos nas eleições de 2024.
O ex-goleiro azulino Adriano Paredão (MDB) também foi candidato a vereador em Belém diversas vezes, todas sem sucesso.
Em 2016 o ídolo bicolor Lecheva (Psol) tentou vaga no legislativo municipal, mas com apenas 1.825 não conseguiu sucesso.
De acordo com especialistas, o desempenho eleitoral desses candidatos depende de fatores que vão além da fama no futebol, como estrutura partidária, articulação política e identificação com pautas locais. Embora a popularidade junto às torcidas seja um diferencial, ela nem sempre se traduz diretamente em votos.
O fenômeno reflete uma tendência nacional, em que ex-atletas buscam prolongar a relevância pública após o fim da carreira esportiva. No Pará, essa movimentação evidencia a forte conexão entre futebol e sociedade, especialmente em cidades como Belém, onde o esporte exerce grande influência cultural.















