O Clube do Remo estreou no Brasileirão 2026 de forma preocupante e deixou uma impressão amarga. Se no primeiro tempo ainda houve algum equilíbrio, a etapa final escancarou um time irreconhecível, apático e completamente dominado pelo Vitória, que fez valer o fator casa e venceu por 2 a 0 no Barradão, diante de mais de 16 mil torcedores.
O placar, diga-se, foi até econômico. O time baiano poderia ter construído uma goleada sem grandes discussões, não fosse a atuação decisiva do goleiro Marcelo Rangel, que, paradoxalmente, foi vilão em um lance e herói em vários outros. Sem ele, a derrota azulina teria assumido contornos humilhantes.
O jogo começou truncado, nervoso, com interrupções e pouca inspiração. Logo aos cinco minutos, uma longa checagem do VAR por possível toque de mão de Marllon na área esfriou ainda mais a partida. Nada foi marcado. O Remo até conseguiu encaixar um contra-ataque perigoso aos 31 minutos, quando Alef Manga finalizou com perigo, mas foi um lampejo isolado.
O Vitória respondeu de imediato e passou a testar Marcelo Rangel com insistência. Renato Kayzer, de cabeça, e Matheuzinho, livre na área, só não abriram o placar antes do intervalo porque o goleiro remista estava em noite inspirada. O 0 a 0 no primeiro tempo foi enganoso.
Apagado e dominado
Na volta do intervalo, o jogo ganhou intensidade. O Remo ainda ameaçou em chutes de Patrick de Paula e Yago Pikachu, mas foi só. A partir daí, o Leão paraense simplesmente desapareceu do jogo. Aos 12 minutos, Renato Kayzer se redimiu de atuações apagadas e aproveitou uma falha de Marcelo Rangel em cobrança de escanteio para marcar de cabeça na segunda trave.
O gol desmontou o Remo. Sem reação, sem organização e sem poder de marcação, o time passou a ser empurrado para trás. O Vitória tomou conta do meio-campo, criou chances em série e chegou a ter um pênalti anulado. Pouco depois, aos 30 minutos, Fabri entrou, mudou o ritmo da partida e participou diretamente do segundo gol, servindo Baralhas livre na área para fechar o 2 a 0.
O estrago poderia ter sido maior. Fabri ainda balançou as redes aos 38 minutos, mas teve o gol anulado. Até o apito final, o Remo foi um time desorientado, sem força para competir e dependente exclusivamente de seu goleiro para não sair do Barradão com um vexame histórico.
O que o Remo precisa mudar para encarar o Mirassol
A derrota acende um sinal de alerta imediato no Baenão — e especialmente para o duelo contra o Mirassol, no Mangueirão, diante de uma torcida que empurra, cobra e não aceita passividade. Para reagir, o Remo precisa, antes de tudo, recuperar identidade.
É indispensável corrigir o sistema defensivo, que se mostrou frágil na bola aérea e vulnerável quando pressionado. O meio-campo precisa competir mais, encurtar espaços e parar de assistir ao adversário jogar. Ofensivamente, falta intensidade, aproximação e coragem para propor o jogo, algo inadmissível para quem atua em casa.
No Mangueirão, com a torcida a favor, o Remo não pode repetir a postura tímida e reativa vista em Salvador. Precisa marcar mais alto, acelerar a transição, explorar melhor os lados do campo e transformar volume de jogo em finalizações reais. Brasileirão não perdoa quem hesita.
Se quiser se manter vivo na competição e evitar um início de campeonato traumático, o Leão terá de mostrar, contra o Mirassol, que o apagão do Barradão foi apenas um tropeço — e não o retrato fiel de um time despreparado para a Série A.
RAIO X DA PARTIDA
Local: Barradão, Salvador
Gols: Renato Kayzer, 12’/2ºT; Baralhas, 31’/2ºT (Vitória);
Cartões amarelos: Zé Ricardo, Patrick de Paula, Dodô, Léo Andrade (Remo); Baralhas, Ramon (Vitória);
Público pagante: 16.511; Renda: R$ 387.892,00.
VITÓRIA – Gabriel Vasconcelos; Zé Marcos, Camutanga e Riccieli (Dudu); Mateus Silva, Baralhas, Caíque Gonçalves e Ramon (Jamerson); Matheuzinho, Aitor Cantalapiedra (Erick) e Renato Kayzer (Fabri).(Técnico: Jair Ventura)
REMO – Marcelo Rangel; João Lucas, Marllon, Léo Andrade e Kayky; Zé Ricardo (Pavani), Patrick de Paula (Dodô) e Jaderson (Patrick); Pikachu, Alef Manga e João Pedro (Eduardo Melo). (Técnico: Juan Carlos Osorio)
Árbitro: Ramon Abatti Abel (SC);
Assistentes: Gizeli Casaril (SC) e Thiaggo Americano Labes (SC);
VAR: Rodrigo Nunes de Sá (RJ)
MELHORES MOMENTOS E GOLS:















