Relatório do Banco Central detalha rastreamento das operações e estabilidade do sistema financeiro após o caso
Brasília – O Banco Central (BC) informou que os recursos pertencentes ao conglomerado financeiro Master foram rapidamente transferidos para instituições de maior porte após a decretação da liquidação extrajudicial, ocorrida entre janeiro e março de 2026.
O Fundo Garantidor de Créditos efetuou pagamentos que ultrapassaram R$ 37 bilhões a clientes das empresas do grupo, em um processo acompanhado de perto pelo mercado devido ao seu impacto sobre a confiança no sistema financeiro nacional. Entretanto, o BC não se manifestou sobre o paradeiro do dinheiro desviado na maior fraude dos sistema financeiro brasileiro.
A apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central revelou que os valores administrados pelo conglomerado Master migraram principalmente para bancos classificados como S1 e S2, categorias que reúnem instituições consideradas de relevância sistêmica no Brasil.
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que a autarquia acompanhou a movimentação dos recursos de maneira minuciosa, analisando cada transferência por CPF e CNPJ.
Segundo o documento, a liquidação extrajudicial do grupo ocorreu sem provocar efeitos sistêmicos relevantes, uma vez que o Master representava apenas 0,1 por cento dos ativos totais do Sistema Financeiro Nacional, estimados em R$ 17 trilhões.
O processo de liquidação desencadeou dúvidas entre investidores e analistas sobre potenciais riscos de contaminação para outras instituições de médio porte. No entanto, o Banco Central reforçou que os impactos foram controlados.
Entre 19 de janeiro e 27 de fevereiro de 2026, o Fundo Garantidor de Créditos efetuou o pagamento de R$ 37,7 bilhões a clientes do Master, do Master BI e do Letsbank. O valor correspondeu a 93,3 por cento da cobertura prevista. Cerca de 55 por cento dos recursos reembolsados foram posteriormente alocados em títulos emitidos por outras instituições financeiras.
O caso ganhou grande repercussão devido à dimensão do rombo financeiro deixado pelas instituições do conglomerado e ao número de investidores afetados.
Parte das perdas poderia recair sobre o contribuinte em razão do esforço fiscal necessário para recompor a estrutura do sistema de garantias. A crise expôs fragilidades regulatórias no monitoramento de bancos de médio porte e na avaliação de riscos associados a captação agressiva de depósitos via produtos de renda fixa.
Ainda segundo o Relatório de Estabilidade Financeira, a confiança no sistema manteve-se elevada entre os participantes da pesquisa conduzida pelo Banco Central.
O diretor de Política Econômica da instituição, Paulo Picchetti, afirmou que não houve respostas que indicassem baixa ou ausência de confiança. Apesar disso, destacou que persistem fatores de preocupação relacionados ao cenário fiscal, à trajetória da dívida pública e ao aumento do endividamento de famílias e empresas, pontos que se tornaram mais sensíveis diante da liquidação do conglomerado Master.
Em avaliações complementares, analistas de mercado indicaram que a migração dos recursos para grandes bancos refletiu a busca por segurança por parte dos investidores e que o episódio reacendeu debates no Congresso sobre revisões estruturais no Fundo Garantidor de Créditos e no regime especial de administração temporária.
O Banco Central afirmou ainda que o sistema permanece resiliente, mesmo com o ambiente de juros elevados e o aumento da inadimplência das famílias.
De acordo com Ailton de Aquino, as instituições financeiras mantêm provisões adequadas e níveis de capitalização suficientes para enfrentar cenários adversos. As conclusões contribuíram para atenuar temores de que a liquidação do conglomerado pudesse desencadear uma crise de maior escala.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.















