Uma história que começou com uma doação de sêmen e atravessou mais de uma década acabou se transformando em um relacionamento amoroso e em uma família. A trajetória de Jessica Share e Aaron Long, que se conheceram 12 anos após o nascimento da filha concebida por inseminação artificial, ganhou repercussão internacional e, neste ano, virou documentário.
A história teve início em 1994, quando Aaron Long, então com 28 anos, retornou à sua cidade natal, State College, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, após passar um ano ensinando inglês nas Ilhas Canárias, na Espanha. Formado em Escrita Criativa pela Universidade Johns Hopkins, ele começou a trabalhar como taxista.
Foi durante esse período que Aaron encontrou um anúncio em um jornal de um banco de esperma local que procurava homens saudáveis, com idade entre 18 e 35 anos, para participar de um programa de doação de sêmen destinado a ajudar pacientes com infertilidade. Além da motivação de contribuir com o programa, a atividade também representava uma forma de complementar sua renda.
“Eu estava num relacionamento a distância com uma mulher na Alemanha, então doar sêmen me pareceu uma boa ideia na época. Eles pagavam US$ 40 por visita”, contou o americano, que visitou o local duas vezes por semana durante um ano.
Anos mais tarde, Aaron se tornaria conhecido para Jessica Share, embora inicialmente apenas por meio de uma descrição fornecida pelo banco de esperma. Na época, Jessica era casada com uma mulher e vivia em Eugene, no estado do Oregon. O casal desejava ter filhos e encontrou o perfil identificado como “Doador nº 2008”.
“Ele listou sua profissão como taxista e músico e disse que tinha um diploma em escrita criativa”, recordou Jessica. “Minha esposa e eu dissemos: ‘É esse o DNA que queremos’. Parecia romântico imaginá-lo dirigindo um táxi e escrevendo um livro”, completou ela.
Em setembro de 2004, Jessica e sua esposa compraram dois frascos do esperma do doador anônimo, que era Aaron Long. Pouco tempo depois, Jessica engravidou da filha Alice.
“Nove meses depois, tivemos um bebê perfeito”, disse Jessica.
Dois anos mais tarde, o casal adquiriu mais dois frascos do sêmen de Aaron. Desta vez, foi a esposa de Jessica quem engravidou e deu à luz, em 2007. No entanto, o relacionamento entre as duas terminou logo depois. A ex-companheira de Jessica mudou-se com a segunda filha do casal, Soren. Segundo o relato, Jessica não possuía direitos parentais sobre a criança e, por isso, “não houve contato”.
A reviravolta ocorreu em 2016, quando Alice, então com 11 anos, passou a se interessar por sua genealogia. Sabendo que havia sido concebida com a ajuda de um doador anônimo, ela recebeu da avó um teste de DNA da empresa 23andMe como presente de Natal.
O resultado apontou que havia 50% de chance de Aaron Long, que naquela época vivia em Seattle, ser seu pai biológico.
Em julho do ano seguinte, Jessica conseguiu localizar Aaron e viajou acompanhada de Soren para conhecê-lo pessoalmente. O encontro, inicialmente motivado pela busca de respostas para as filhas, acabou mudando completamente a vida de Jessica.
“Eu me apaixonei pelo meu doador de sêmen”, contou ela.
A história rapidamente ganhou repercussão internacional e foi destaque em veículos de comunicação de diversos países. O caso chamou tanta atenção que uma emissora chegou a considerar a criação de um reality show inspirado na trajetória do casal, embora o projeto não tenha sido levado adiante.
“Houve uma matéria publicada no Japão com o título ‘Seu esperma torna mulheres heterossexuais’. Aaron tem muito orgulho disso”, relembrou a americana, que até então era lésbica.
Com o passar do tempo, Jessica e Aaron consolidaram o relacionamento e decidiram se casar, formando uma família que muitos consideram improvável devido às circunstâncias em que se conheceram.
“Somos uma família normal”, garante Jessica, que trabalha para uma agência de relações públicas digitais.
No início deste ano, a trajetória do casal chegou às telas por meio de um documentário. Originalmente intitulado “$40 a Pop”, o filme passou a se chamar “Dad Gene’s” e está sendo exibido em festivais de cinema.
Atualmente, Jessica e Aaron vivem nos arredores de Seattle, nos Estados Unidos. Com os filhos já criados, eles compartilham a rotina com oito galos resgatados durante a pandemia de Covid-19, encerrando uma história que começou com uma doação anônima e acabou se transformando em casamento.
















