👉🏻 MacBook Neo, o “Mac baratinho” da Apple, sobe 16%. iPads e Macs registram reajustes históricos; iPhone 17 Pro pode ter alta de 18,2%
👉🏻 iPhone de R$ 21 mil? Comunicado da empresa cita aumento “nunca visto” no custo de componentes; iPhone 18 Pro, previsto para setembro, pode chegar US$ 200 mais caro, passando de R$ 21 mil
Brasília – Em meio a uma disparada histórica nos custos de componentes, a Apple anunciou nesta quinta-feira (25) aumentos expressivos nos preços de MacBooks e iPads no Brasil, com reajustes que chegam a ultrapassar R$ 5 mil em alguns modelos. O iPhone, por enquanto, não foi afetado — mas projeções indicam que o smartphone também deve sofrer reajustes nos próximos meses, podendo levar o modelo mais caro da linha a superar a barreira dos R$ 21 mil.
A Apple confirmou uma rodada de aumentos nos preços de diversos produtos de sua linha no Brasil, em um movimento que já era esperado pelo mercado desde que o CEO da companhia, Tim Cook, classificou os reajustes como “inevitáveis” em entrevista ao Wall Street Journal publicada no dia 18 de junho.
A decisão ocorre em meio a uma crise global sem precedentes no setor de memórias — DRAM e NAND Flash — cujos preços dispararam impulsionados pela demanda avassaladora da indústria de inteligência artificial por data centers e servidores de alto desempenho.
Os preços dos produtos da Apple no Brasil estão entre os mais elevados do mundo, influenciados pela carga tributária incidente sobre dispositivos eletrônicos no país, mesmo antes da “crise das memórias”.
De acordo com o levantamento em sites especializados, o MacBook Neo, lançado como a versão de entrada e mais acessível da companhia, saltou de R$ 7.299 para R$ 8.499 no modelo mais básico — um aumento de aproximadamente 16%.
Na versão com maior capacidade de armazenamento, o notebook agora custa R$ 9.699, valor que se aproxima dos R$ 10 mil e contrasta com a proposta original de ser um produto “barato” dentro do portfólio da maçã.
Diversos modelos de iPad e Mac também registraram acréscimos superiores a R$ 5 mil, conforme apurou a reportagem.
A justificativa oficial da Apple, reproduzida em comunicado divulgado à imprensa, é categórica: “Nunca vimos o preço de um componente subir tanto e tão rápido”.
A empresa afirma que vinha absorvendo os custos crescentes para proteger seus clientes, mas que a situação se tornou insustentável.
“Estamos fazendo o possível para mitigar os enormes aumentos que estão sendo repassados para nós e temos tentado proteger nossos clientes desses aumentos, mas a situação se tornou insustentável”, declarou Tim Cook.
O fenômeno, no entanto, não é exclusividade da Apple. A crise de memórias atingiu toda a cadeia global de eletrônicos de consumo. Dados da TrendForce, consultoria especializada no setor de semicondutores, indicam que os preços do setor de DRAM subiram 81% apenas no primeiro trimestre de 2026.
No segundo trimestre, a alta acumulada pode chegar a 93% ou 98%, conforme projeções atualizadas em maio. A Samsung, uma das maiores fabricantes do mundo, já havia elevado seus preços de chips DRAM em 30% para o segundo trimestre, segundo o site sul-coreano ET News.
A Micron, outra gigante do setor, desistiu de sua marca Crucial — que vendia memórias para consumidores finais — para focar exclusivamente na indústria de IA. A decisão fez disparar o valor das ações da companhia na Nasdaq, a bolsa de tecnologia nos Estados Unidos, na quarta-feira (24).
O diagnóstico é unânime entre analistas e executivos do setor: a inteligência artificial é a grande protagonista dessa escalada. A rápida expansão de data centers dedicados ao treinamento e à operação de modelos de IA gerou uma demanda extraordinária por memórias de alto desempenho (HBM, na sigla em inglês), desviando a capacidade de produção que antes era destinada a componentes para computadores, tablets e smartphones.
Com isso, fabricantes como HP, Dell, Lenovo, ASUS e Acer também anunciaram ou implementaram reajustes, conforme registrou a consultoria IDC, que projeta aumentos de até 8% nos preços dos PCs em 2026.
O iPhone está na mira
Até o momento, nenhum dos sete modelos de iPhone disponíveis no catálogo atual da Apple sofreu alterações de preço no Brasil. O alívio, porém, tende a ser temporário.
Segundo estimativas de consultorias e empresas de pesquisa de mercado, a Apple também deve realizar reajustes nos preços dos smartphones — e o acréscimo projetado para o iPhone 17 Pro é de até 18,2%.
No Brasil, considerando que o iPhone 17 Pro custa atualmente R$ 11.499, o reajuste representaria um acréscimo superior a R$ 2 mil, elevando o aparelho para perto dos R$ 13,6 mil.
O impacto deve se refletir também na próxima geração, o iPhone 18, cujo lançamento está previsto para setembro de 2026. Projeções do Wall Street Journal, indicam que o iPhone 18 Pro pode ficar até US$ 200 mais caro no mercado internacional.
Em cenário mais extremo, o iPhone 17 Pro Max de 2 TB, que hoje custa R$ 18.499, pode disparar para mais de R$ 21,8 mil caso o reajuste de 18% se confirme — o que marcaria a primeira vez que um iPhone ultrapassa a barreira simbólica dos R$ 20 mil no Brasil.

Um mercado sem precedentes e sem horizonte claro
O cenário atual é descrito por especialistas como algo nunca antes visto na indústria de eletrônicos. O CEO da Claro, Rodrigo Marques, declarou em evento no dia 23 de abril que a crise da memória RAM pode durar mais dois anos, com impactos que já superam a marca de 30% de aumento em equipamentos.
As estimativas da TrendForce e de outras consultorias indicam que os preços só devem retornar a patamares considerados “normais” a partir de 2028.
No varejo brasileiro, os reajustes anunciados pela Apple em seus canais oficiais ainda não foram integralmente repassados às lojas gerais. OMacBook Neo, por exemplo, já foi encontrado por cerca de R$ 4,3 mil em varejistas parceiras — valor significativamente inferior ao preço sugerido. Contudo, a tendência é que os aumentos cheguem também a esses canais nas próximas semanas.
A Apple, historicamente conservadora em sua política de precificação — a empresa raramente concede descontos mesmo em épocas festivas e não costuma elevar preços de produtos após o lançamento —, viu-se forçada a romper seu próprio padrão.
Para analistas, o fato de a companhia ter recorrido a reajustes mesmo com todo o seu poder de barganha junto a fornecedores é o indicador mais claro de que a crise de memórias atingiu um estágio crítico.
O consumidor brasileiro, que já enfrenta uma carga tributária elevada sobre eletrônicos e uma moeda desvalorizada frente ao dólar, agora se vê diante de um cenário em que comprar um dispositivo novo — seja um notebook, um tablet ou um smartphone — tornou-se um exercício de planejamento financeiro.
Como sintetiza o jornalista Wellington Arruda, do TecMundo: “É melhor comprar agora antes de vermos preços ainda mais absurdos nas lojas.”
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.















