A Polícia Civil do Rio de Janeiro, com apoio do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), deflagrou nesta terça-feira (4) a Operação Quimera, que investiga um esquema de exploração de clubes recreativos para lavagem de dinheiro do Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, traficantes ligados ao Morro do Dezoito colocaram pessoas de confiança para administrar o Várzea Country Clube, que continuou funcionando normalmente e promovendo festas, eventos e outros serviços enquanto era utilizado para ocultar recursos do tráfico de drogas.
A operação é conduzida por agentes da 52ª Delegacia de Polícia (Nova Iguaçu) e promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), que cumpriram mandados de busca e apreensão em 10 endereços. Um dos alvos foi justamente o Várzea Country Clube, localizado em Água Santa, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
De acordo com a investigação, o esquema criminoso movimentou cerca de R$ 11 milhões e também envolvia uma pousada em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos, além da prática de extorsões contra outros clubes recreativos.
Investigação começou após denúncias de extorsão
As apurações tiveram início no ano passado, depois que dirigentes do Social Clube Marabu, no bairro Encantado, denunciaram que traficantes do Morro do Dezoito passaram a exigir o pagamento mensal de R$ 6 mil para permitir o funcionamento do estabelecimento. Segundo a Polícia Civil, o Comando Vermelho também tentou assumir a gestão daquele clube.
Durante o aprofundamento das investigações, os policiais identificaram indícios de um esquema semelhante no Várzea Country Clube, onde pessoas ligadas à organização criminosa passaram a administrar informalmente o espaço.
A delegada Kely Goularte explicou como o grupo atuava.
“Verificamos que o Várzea estava sem presidente formalmente constituído e, mesmo assim, funcionava normalmente, promovendo festas, eventos e serviços”, explicou a delegada Kely Goularte.
Ela acrescentou que a investigação permitiu identificar quem estava por trás da administração do clube.
“Com isso, nós conseguimos identificar um núcleo familiar que administrava informalmente aquele clube e movimentou R$ 11 milhões em menos de 6 meses”, emendou.

Movimentações milionárias chamaram atenção
Segundo a Polícia Civil, relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. As análises revelaram intensa circulação de recursos entre familiares, empresas e pessoas físicas por meio de transferências bancárias, depósitos em dinheiro e operações fracionadas via PIX.
De acordo com os investigadores, esse modelo era utilizado para dificultar o rastreamento da origem dos recursos e ocultar o patrimônio obtido com atividades criminosas.
Pousada em Búzios também fazia parte do esquema
As investigações também identificaram a ligação do grupo criminoso com a pousada Menino do Rio, localizada em Armação dos Búzios, que, segundo a Polícia Civil, pode ter sido utilizada para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
O estabelecimento possui estrutura considerada de pequeno porte, com 16 quartos, cinco funcionários e diárias de aproximadamente R$ 540 durante a alta temporada.
Apesar disso, a pousada movimentou cerca de R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses e registrou mais de 600 depósitos em espécie, que totalizaram aproximadamente R$ 955 mil.
Sobre os valores identificados, a delegada destacou:
“Esses valores eram incompatíveis com o tamanho da pousada”, afirmou a delegada.
Esquema ocultava origem do dinheiro
Segundo as investigações, a organização utilizava pessoas físicas e jurídicas para esconder a origem dos recursos, dificultar o rastreamento patrimonial e reinserir valores provenientes do tráfico de drogas na economia formal.
A conclusão apresentada pelos investigadores aponta que o volume financeiro movimentado apresenta características típicas de lavagem de dinheiro.
“Somadas, as movimentações identificadas ultrapassam R$ 11 milhões e apresentam características típicas de ocultação patrimonial, pulverização de recursos e lavagem de dinheiro.”















