Os trabalhadores dos Correios iniciaram, nesta sexta-feira (11), uma greve por tempo indeterminado em todo o país. A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10) e conta com a adesão de sindicatos de diversos estados brasileiros, segundo informou a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect).
De acordo com a entidade, a decisão foi tomada após o encerramento das negociações da campanha salarial sem acordo entre os representantes dos trabalhadores e a direção da empresa.
Segundo a Findect, a aprovação da greve “marca uma nova etapa da Campanha Salarial, após as negociações terminarem sem acordo”.
Até o momento, os Correios ainda não se posicionaram oficialmente sobre a paralisação. Conforme informado, a empresa foi procurada para comentar o movimento grevista, mas ainda não havia respondido.
Entre os principais pontos de divergência nas negociações está o plano de saúde dos funcionários. A federação afirma que a direção dos Correios pretende promover alterações no benefício, considerado um dos principais impasses nas discussões.
Em nota, a Findect declarou:
“A decisão das assembleias ocorre depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores.”
Funcionamento dos serviços
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos da Paraíba (Sintect-PB), Tony Sérgio, durante a greve apenas os serviços administrativos internos estão funcionando na Paraíba.
Ainda não há informações sobre o funcionamento desses serviços nas demais regiões do país.
Empresa enfrenta crise financeira
A paralisação ocorre em meio a um período de dificuldades financeiras enfrentadas pelos Correios. A empresa acumula 15 trimestres consecutivos de resultados negativos.
No primeiro semestre deste ano, os Correios registraram prejuízo de R$ 5,6 bilhões.
Apesar disso, o prejuízo registrado no segundo trimestre foi inferior ao observado no primeiro trimestre de 2026 e no quarto trimestre de 2025, indicando um pequeno movimento de recuperação da saúde financeira da estatal após o prejuízo recorde registrado no início deste ano.
Ainda segundo as informações divulgadas, os Correios esperam receber um novo empréstimo até o próximo dia 15 de setembro. A expectativa é de que a operação, no valor de R$ 7 bilhões, seja realizada por um consórcio formado por instituições financeiras, incluindo Citibank, J.P. Morgan, Deutsche Bank e Banrisul.
O novo financiamento já havia sido confirmado pela empresa nas demonstrações financeiras referentes ao primeiro semestre deste ano, divulgadas no fim de agosto.
Sindicatos que aderiram à greve
Segundo a Findect, aderiram ao movimento grevista os seguintes sindicatos:
- SINTECT-AL (Alagoas)
- SINTECT-AM (Amazonas)
- SINTECT-AP (Amapá)
- SINTECT-BA (Bahia)
- SINTECT-CAS (Campinas)
- SINTECT-CE (Ceará)
- SINTECT-DF (Distrito Federal)
- SINTECT-ES (Espírito Santo)
- SINTECT-GO (Goiás)
- SINTECT-JFA (Juiz de Fora)
- SINTECT-MG (Minas Gerais)
- SINTECT-MT (Mato Grosso)
- SINTECT-RO (Rondônia)
- SINCORT-PA (Pará)
- SINTECT-PB (Paraíba)
- SINTECT-PE (Pernambuco)
- SINTECT-PI (Piauí)
- SINTCOM-PR (Paraná)
- SINTECT-RN (Rio Grande do Norte)
- SINTECT-RR (Roraima)
- SINTECT-RPO (Ribeirão Preto)
- SINTECT-RS (Rio Grande do Sul)
- SINTECT-SC (Santa Catarina)
- SINTECT-SE (Sergipe)
- SINTECT-SJO (São José do Rio Preto)
- SINTECT-SMA (Santa Maria)
- SINTECT-TO (Tocantins)
- SINTECT-URA (Uberaba)
- SINTECT-VP (Vale do Paraíba)
- SINDECTEB (Bauru e região)
- SINTECT-MA (Maranhão)
- SINTECT-MS (Mato Grosso do Sul)
- SINTECT-RJ (Rio de Janeiro)
- SINTECT-Santos (Santos e região)
- SINTECT-SP (São Paulo)
No Acre, o SINTECT-AC informou que a assembleia para deliberar sobre a adesão à greve estava prevista para esta sexta-feira (11).














