Diferente de outros pleitos, as convenções partidárias começam sem definições centrais. Na segunda-feira (20), o Partido Missão deu o ponta-pé inicial e lançou Renan Santos e o vice da chapa, Aroldo Medina, militar da reserva gaúcho. Todos os demais partidos no primeiro pelotão vivem o dilema da incerteza com decisões estratégicas da disputa presidencial ainda pendentes. Temas que tradicionalmente chegam resolvidos a esta etapa — escolha de vices, montagem de palanques estaduais e composição de alianças — seguem em negociação. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentra as maiores indefinições, mas Lula (PT) e os demais presidenciáveis também chegam ao período com impasses que precisarão ser equacionados até 5 de agosto.
PDT sai na frente e oficializa apoio a Lula
Na abertura do calendário das convenções, o PDT confirmou, na segunda-feira (20), o apoio à candidatura à reeleição do presidente Lula. O petista participou da parte final do evento, comandado pelo ex-ministro e presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, e que contou com a presença do presidente do PT, Edinho Silva e do pré-candidato ao Senado do PDT do Pará, Celso Sabino. Além do PDT, outros partidos de esquerda devem confirmar apoio nos próximos dias: o PSB, do vice-presidente Geraldo Alckmin, e a federação PSOL/Rede. PV e PCdoB, que integram formalmente a federação com o PT, também compõem a base. A convenção nacional do PT que oficializará o nome de Lula está marcada para 2 de agosto.
Flávio e o nó da vice
O senador chega à convenção do PL, em 25 de julho em São Paulo, sem definir a vice. Há consenso sobre a necessidade de escolher uma mulher para reduzir a rejeição entre o eleitorado feminino — preferência que ganhou peso após a crise com Michelle Bolsonaro, que publicou vídeo com críticas ao senador.
O perfil da escolhida divide aliados
De um lado, nomes do núcleo ideológico do bolsonarismo, como Bia Kicis (PL-DF) e Júlia Zanatta (PL-SC). De outro, opções mais técnicas e moderadas, caso da ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos) e da senadora Tereza Cristina (PP-MS). Na quinta-feira, 16, Flávio citou Daniella, além das deputadas Simone Marchetto (SP) e Clarissa Tércio (PE).
Alianças amarram a decisão
No PP, a aproximação depende de recompor a relação entre Flávio e o senador Ciro Nogueira (PI), presidente da sigla — os dois se afastaram após o caso Banco Master. O Republicanos condiciona adesão a acordos estaduais: em troca do apoio a Flávio, busca respaldo do PL em candidaturas ao governo e ao Senado. Por ora, integrantes do partido apontam tendência de neutralidade na corrida ao Planalto.
O xadrez mineiro e o palanque fluminense
Em Minas Gerais, Estado Pêndulo (decisivo)no Brasil, a pré-campanha de Flávio trabalha com dois caminhos: aliança com o senador Cleitinho (Republicanos-MG) ou candidatura própria com nomes como o empresário Flávio Roscoe e o ex-prefeito Vittorio Medioli. No Rio de Janeiro, o palanque também segue incompleto — o partido aguarda definição sobre Márcio Canella (União Brasil), após operação da Polícia Federal. Berço do bolsonarismo, o Rio de Janeiro se transformou no grande dilema do PL.
Lula também chega com pendências
Em Minas, o deputado Patrus Ananias aceitou disputar o governo. A chapa, porém, não está fechada: o PT busca definir um vice, com preferência por oferecê-lo ao PSB. Para o Senado, Marília Campos (PT-MG) deve concorrer a uma vaga, enquanto a segunda pode ficar com o PSB ou ser oferecida a Áurea Carolina (PSOL), a depender de negociações com a federação PSOL/Rede.
Goiás e a convenção do PT
O PT manteve a pré-candidatura de Luís César Bueno ao governo goiano após a recusa de Adriana Accorsi (PT-GO). A convenção estadual será em 4 de agosto, em Goiânia.
Caiado e a independência dos palanques
Ronaldo Caiado será oficializado pelo PSD em 26 de julho, em São Paulo, com Gilberto Kassab como vice. O tema central será a independência dos diretórios estaduais para definir seus próprios palanques — medida que busca acomodar as diferenças internas do partido. Lula, por exemplo, já deve contar com palanques do PSD no Rio de Janeiro,Pará, Amazonas, Mato Grosso e Sergipe.
Zema e a vice postergada
Em 27 de julho, o Novo oficializa a candidatura de Romeu Zema em Brasília. A escolha do vice, porém, ficará para depois, delegada à Executiva Nacional — tentativa de ganhar tempo para eventual composição com partidos hoje neutros ou alinhados a Flávio. Aliados de Zema avaliam que novos desgastes envolvendo o senador ainda podem abrir espaço para negociações.
O calendário eleitoral e a corrida final
Partidos e federações precisam registrar em ata as decisões das convenções — documento obrigatório para o pedido de registro na Justiça Eleitoral, cujo prazo termina em 15 de agosto. A campanha começa formalmente no dia seguinte. Até lá, o tabuleiro político ainda pode mudar, e as decisões dos próximos dias definirão os contornos de uma das eleições mais imprevisíveis dos últimos anos.
Prognóstico da Coluna
Independente das negociações, a Coluna prevê que a eleição só será definida nos últimos dez dias da votação do 2º Turno, em 25 de outubro de 2026 (domingo). Até lá muita coisa pode ocorrer. Quem menos errar ou ser alvo de um grande escândalo, conseguirá a vitória.
Val-André Mutran é repórter especial para o Portal Ver-o-Fato e está sediado em Brasília.
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