O plano de Elon Musk para transformar o X (antigo Twitter) em um “superapp” deu um de seus passos mais importantes. Nesta semana, a empresa lançou oficialmente o X Money, plataforma financeira integrada à rede social que permite transferências instantâneas entre usuários, conta digital, cartão de débito e remuneração sobre saldo em conta, um movimento que coloca a companhia em rota de colisão com gigantes como PayPal, Venmo, Zelle e Cash App.
O serviço estreou inicialmente nos Estados Unidos em um modelo de acesso por convite (“invite only”), disponível para assinantes dos planos Premium da plataforma. A estratégia segue um padrão adotado por empresas de tecnologia para testar estabilidade, segurança e conformidade regulatória antes da expansão para milhões de usuários.
Uma ideia que nasceu há quase 30 anos
Embora o lançamento pareça recente, a origem do projeto remonta a 1999, quando Musk fundou o banco digital X.com. A empresa se fundiu à Confinity em 2000 e acabou dando origem ao PayPal.
Em diversas entrevistas ao longo dos últimos anos, Musk afirmou que considerava a venda da X.com um dos maiores arrependimentos de sua carreira. Em 2017, ele recomprou o domínio X.com justamente para utilizá-lo em um futuro projeto financeiro.
Quando adquiriu o Twitter por US$ 44 bilhões, em outubro de 2022, Musk escreveu que a compra da rede social seria “um acelerador para criar o aplicativo para tudo”. Desde então, praticamente todas as mudanças implementadas na plataforma caminharam nessa direção.
O que o X Money oferece
Entre os principais recursos lançados estão:
- transferências instantâneas entre usuários da plataforma;
- carteira digital integrada ao perfil do X;
- cartão de débito Visa personalizado;
- saques em caixas eletrônicos;
- integração com contas bancárias;
- cashback em compras elegíveis;
- rendimento anual de até 6% sobre determinados depósitos.
O rendimento de 6% está entre os maiores oferecidos atualmente por contas digitais nos Estados Unidos, embora exija condições específicas, como saldo mínimo de US$ 1.000 e assinatura do plano Premium.
Parceria evita que o X vire um banco
Apesar das funcionalidades bancárias, o X Money não é um banco.
A infraestrutura financeira é operada pelo Cross River Bank, instituição licenciada nos Estados Unidos especializada em fornecer tecnologia para fintechs.
Esse modelo permite que o X ofereça serviços financeiros sem precisar obter uma licença bancária própria — processo que pode levar anos e exige forte supervisão regulatória.
Visa é peça-chave do projeto
Outra parceira importante é a Visa.
A empresa fornece toda a infraestrutura do cartão de débito do X Money e da tecnologia Visa Direct, responsável pelas transferências quase instantâneas entre contas bancárias e carteiras digitais. A parceria havia sido anunciada oficialmente em janeiro de 2025 e agora começa a aparecer para os consumidores.
Concorrência bilionária
O desafio será enorme.
Nos Estados Unidos, o mercado de pagamentos digitais já é dominado por plataformas consolidadas como:
- Venmo (PayPal);
- Zelle;
- Cash App;
- Apple Cash.
Esses serviços movimentam centenas de bilhões de dólares anualmente e possuem dezenas de milhões de usuários ativos. O X aposta na integração direta com sua rede social para reduzir a necessidade de alternar entre aplicativos.
Reguladores acompanham de perto
A entrada do X no setor financeiro também despertou atenção em Washington.
Durante 2026, autoridades e parlamentares norte-americanos manifestaram preocupação com questões relacionadas à proteção do consumidor, privacidade de dados e possíveis riscos ao sistema financeiro caso uma plataforma de mídia social passe a concentrar comunicações, pagamentos e informações pessoais em um único ambiente.
Curiosidades sobre o X Money
- A ideia do X Money é mais antiga que o próprio PayPal: ela nasceu com a criação da X.com em 1999.
- O projeto faz parte do conceito de “everything app”, inspirado no aplicativo chinês WeChat, que reúne mensagens, pagamentos, compras e diversos serviços.
- O cartão físico do X Money utiliza a bandeira Visa e pode ser usado em caixas eletrônicos.
- Os primeiros usuários receberam acesso apenas por convite.
- O rendimento de até 6% ao ano é um dos principais atrativos para conquistar clientes no lançamento.
- Inicialmente, o serviço está disponível apenas nos Estados Unidos, mas Musk já afirmou diversas vezes que pretende expandir o ecossistema para outros mercados conforme obtiver aprovações regulatórias.
Um passo rumo ao “aplicativo para tudo”
O lançamento do X Money representa muito mais do que a entrada de uma rede social no mercado financeiro. Trata-se da concretização de uma estratégia que Elon Musk vem desenvolvendo há décadas: transformar o X em uma plataforma capaz de concentrar comunicação, pagamentos, serviços financeiros e, futuramente, outras funcionalidades digitais em um único aplicativo.
Se a iniciativa conquistar usuários e superar os desafios regulatórios, o X poderá deixar de ser apenas uma rede social para disputar espaço com bancos digitais, carteiras eletrônicas e aplicativos multifuncionais — um mercado trilionário que tende a redefinir a forma como milhões de pessoas movimentam dinheiro diariamente.
Fonte: apnews.com















