Veto da Dosimetria reacende embate no Congresso
O Congresso Nacional retoma na próxima quinta-feira (30) um dos confrontos políticos mais sensíveis da temporada legislativa: a análise do veto presidencial 3/2026 ao chamado PL da Dosimetria. A sessão conjunta, primeira do ano, recoloca governo e oposição em lados opostos sobre o tratamento dado aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes.
Miragem
A oposição considera prioritária a derrubada do veto, enxergando no texto aprovado pelo Legislativo uma oportunidade de reduzir penas, inclusive a de Jair Bolsonaro (27 anos de cadeia), embora não o devolva à disputa eleitoral. Nos cálculos oposicionistas, a diminuição do período em regime fechado poderia acelerar sua reentrada na articulação política — uma miragem bolsonarista.
Narrativa eleitoral
Sem programa de governo e com intenções de votos em queda livre, por outro lado, resta a lulistas tratar a manutenção do veto como tema de segurança institucional; não só: como narrativa para discurso de salvadores da pátrias nos palanques. O Executivo sustenta que o projeto representa ameaça direta à democracia e questiona a intenção de alterar penas já impostas pelo STF aos condenados pelos ataques.
Onde está Alice?
A fábula Alice no País das Maravilhas ajuda no entendimento. A disputa antecipa a corrida pelos votos. Ocorre em ambiente político alterado pela janela partidária, que redistribuiu 128 deputados entre legendas, reorganizando forças em pleno ano eleitoral. A articulação também mudou: José Guimarães assume a função política no Planalto antes ocupada por Gleisi Hoffmann, enquanto Paulo Pimenta assume a liderança do governo na Câmara e Pedro Uczai passa a comandar a bancada do PT.
O chapeleiro louco neutralizado
A matemática legislativa neutraliza a ação do chapeleiro louco que ainda povoa a mente dos governistas, no entanto, é adversa ao Planalto. Na Câmara, o projeto foi aprovado em dezembro por 291 votos a 148 — acima dos 257 necessários para derrubar um veto. No Senado, foram 48 votos favoráveis e 25 contrários. Para reverter o placar, o governo precisaria virar 35 votos na Câmara ou 8 no Senado. Sem concordância entre as Casas, o veto é automaticamente mantido.

Câmara discute fim do termo “quarto de empregada”
A Câmara dos Deputados iniciou a análise do projeto de lei complementar 18/2025, da deputada Denise Pessôa (PT‑RS), que proíbe o uso dos termos “quarto de empregada”, “dependência de empregada”, “suíte de empregada” e expressões similares em contratos, projetos arquitetônicos e comunicações públicas ou privadas. O cancelamento é a razão de viver legislativa da esquerda.
O politicamente correto da esquerda
Quase 100% dos projetos do campo esquerdista são justificados como “politicamente corretos” embora sejam corredores poloneses que alimentam a cultura Woke. o texto altera a Lei Complementar 150/2015, que regulamenta o trabalho doméstico, sob a justificativa de combater resquícios de práticas discriminatórias que historicamente marcaram as relações de emprego doméstico.
O projeto não impõe obrigação direta a estados e municípios, mas estimula que legislações locais sejam criadas para uniformizar a mudança, preservando a autonomia federativa.
A proposta não impede a existência física dos ambientes; apenas altera a terminologia utilizada em documentos e peças publicitárias. O texto prevê ainda campanhas de conscientização para promover a mudança cultural pretendida. A matéria passará pela CCJ antes de seguir ao Plenário.
Cesupa expulsa alunos envolvidos em agressão
O Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa) anunciou neste sábado (25/4) o desligamento de dois estudantes envolvidos no ataque com arma de choque a um homem em situação de rua em Belém, ocorrido em 13 de abril. A instituição informou que a medida foi tomada após processo administrativo disciplinar que assegurou contraditório e ampla defesa.
Esfera criminal
Identificados como Altemar Sarmento Filho — apontado como autor da descarga elétrica — e Antônio Coelho, que teria filmado a agressão, os jovens começam a vida adulta com o currículo marcado por um episódio que contraria frontalmente o Código de Ética da própria universidade. A cobrança por consequências mais duras agora recai sobre a esfera criminal, onde o caso deve avançar sob pressão da sociedade paraense por responsabilização real.
Ciro adia decisão e admite dilema eleitoral
O ex-governador Ciro Gomes (PSDB) afirmou que tomará até a primeira quinzena de maio a decisão sobre disputar a Presidência da República ou o governo do Ceará. Em encontro com pré‑candidatos tucanos em São Paulo, Ciro admitiu que, após sucessivas tentativas frustradas de chegar ao Planalto, cogita não voltar ao centro da arena eleitoral.
Segundo ele, o ambiente político permanece “profundamente contaminado” e marcado por “campanhas fascistas de lado a lado”, afirmação feita antes de participar do evento partidário.
Caso Master expõe vulnerabilidades do sistema financeiro
O escândalo envolvendo o Banco Master abriu uma crise de proporções inéditas no sistema financeiro nacional e expôs fragilidades de supervisão e controle. O Banco Central já liquidou oito instituições envolvidas na cadeia de fraudes atribuída ao grupo de Daniel Vorcaro, enquanto o Fundo Garantidor de Créditos pode acumular prejuízo estimado em até R$ 52 bilhões.
Falhas de regulação?
O episódio colocou em evidência brechas utilizadas por organizações criminosas, incluindo facções como o PCC, para lavar grandes volumes de recursos por meio de fintechs com regulamentação insuficiente — problema já alertado publicamente pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Areia movediça
Além do impacto sistêmico, os efeitos do caso Master podem atingir o BRB, banco estatal do Distrito Federal, que teria sido arrastado para um passivo considerado por especialistas como de difícil reversão. Ao fim, o custo das fraudes tende a recair sobre consumidores e contribuintes.
Val-André Mutran é repórter especial para o Portal Ver-o-Fato e está sediado em Brasília.
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