Quilombolas da comunidade da batalha, no vale do Acará, voltam a denunciar que foram expulsos de área no rio Acará, onde pretendiam pescar para sustentar suas famílias. A ação violenta, segundo eles, foi executada por seguranças da empresa de vigilância Prossegur, contratada pela Agropalma, que ocupa terras e áreas de plantio de palma sob disputa judicial e com cerca de 60 mil hectares cujos títulos e escrituras públicas já foram cancelados pela Justiça.
O presidente da Associação de Ribeirinhos, Quilombolas, Agricultores Familiares e Pescadores do vale do Acará, Joaquim Pimenta, narra que a situação na área está insustentável, de muito sofrimento e revolta em razão das atitudes da Agropalma, que age como se fosse dona do rio Acará, expulsando sob a mira de armas quem, navega pelo rio ou nele tenta pescar.
Em um relatório enviado ao Ver-o-Fato, Pimenta apela ao Ministério Público Estadual e Federal, Polícia Federal e Defensoria Pública para que tomem providências, “pelo amor de Deus”, contenham as arbitrariedades da Agropalma e evitem uma guerra. “Não aguentamos mais”, resume Pimenta.
Ele conta que no dia 26 passado, sábado, foi com quatro pessoas até o rio Acará, mas ao chegar na margem do rio todos foram impedidos de pescar e, intimidados por seguranças da Agropalma, tiveram que voltar para casa. Ontem, 27, domingo, foram novamente impedidos, desta vez de ter acesso ao cemitério da comunidade, apesar de existir um acordo judicial, assinado por todas as partes, garantindo esse direito
“Está muito difícil sobreviver diante de tanta violência. Não podemos mais tirar o próprio sustento, pescando no rio, para alimentar nossas famílias”, desabafa Pimenta. Ele concluiu, acrescentando que iria pedir a ajuda do procurador-geral de Justiça e chefe do MP paraense, Cézar Mattar.
Em um dos vídeos abaixo, os comunitários discutem com seguranças da Prossegur, que ficam armados e num portão de ferro construído pela Agropalma para evitar que as famílias tenham acesso ao rio para pescar.
Um dos seguranças diz que eles não impedem a pesca, mas a retirada de madeira que estaria sendo feita em área da empresa. Os comunitários negam e dizem que se alguém faz isso não é ninguém ligado à entidade.
VÍDEOS SOBRE A SITUAÇÃO:














