Serviço desenvolvido pelo Ministério da Cultura visa fortalecer a identidade brasileira e já disponibiliza clássicos restaurados e produções contemporâneas além de séries de produção nacional
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, lançaram no sábado (30), a plataforma Tela Brasil durante o evento Rio2C, no Rio de Janeiro. O novo serviço público de streaming, dedicado exclusivamente ao audiovisual brasileiro, visa democratizar o acesso à cultura nacional e fortalecer a identidade do país, oferecendo um catálogo inicial gratuito com mais de 560 obras integradas ao sistema Gov.br.
A iniciativa surge como uma resposta do governo federal à necessidade de ampliar a visibilidade das produções nacionais. Desenvolvida pelo Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a plataforma já está no ar e pode ser acessada mediante login com os dados do cadastro único do governo — veja o passo a passo no final desta reportagem.
O usuário tem a possibilidade de personalizar seu perfil, definindo gêneros de preferência e configurando uma senha PIN para o controle de classificação indicativa. Em sua fase inicial, o acesso ocorre pela versão web e por um aplicativo para Windows, com a previsão de lançamento para os sistemas iOS e Android nas próximas semanas.
O acervo de estreia abrange curtas, médias e longas-metragens, além de séries e documentários. A seleção contempla desde clássicos do cinema brasileiro, como cópias restauradas de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “A Idade da Terra”, de Glauber Rocha, até filmes contemporâneos e indicados ao Oscar, a exemplo de “A Hora da Estrela”, “O Que é Isso, Companheiro?”, “Qual Queijo Você Quer?”, “O Menino e o Mundo” e “Refavela 40”.
A acessibilidade também foi priorizada com a inclusão de recursos como audiodescrição, legendagem descritiva e tradução em Libras. Adicionalmente, um acordo de cooperação técnica firmado com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) garantirá a incorporação de toda a programação da TV Brasil ao catálogo, somando mais de 150 obras ao serviço, incluindo programas tradicionais como o programa jornalístico “Sem Censura”.
Durante a cerimônia, o presidente Lula destacou a importância da plataforma para a autocompreensão da sociedade brasileira. O chefe do Executivo afirmou que a ferramenta contribuirá para a elevação da compreensão do país e criticou a predominância de conteúdos estrangeiros na televisão aberta.
Segundo ele, a quantidade de produções internacionais de baixa qualidade consumidas pela população restringe o acesso da juventude à plenitude da cultura nacional.
O evento também foi marcado por declarações de cunho político. A ministra Margareth Menezes aproveitou a ocasião para alfinetar a oposição ao fazer referência indireta ao filme “Dark Horse”, uma obra em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A ministra ressaltou que o Tela Brasil é um passo fundamental para o reconhecimento e a soberania do povo por meio da cultura e declarou que não é necessário inventar produtoras falsas para representar a identidade nacional.
A fala da ministra remete às recentes investigações envolvendo a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A obra cinematográfica, que conta com o ator norte-americano Jim Caviezel, está no centro de suspeitas de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.
Investigações da Polícia Civil de São Paulo apontam que a produtora responsável, a Go Up Entertainment, pertencente a Karina Ferreira da Gama, recebeu aportes financeiros incompatíveis com os padrões do mercado, mesmo sem possuir experiência prévia no setor audiovisual.
O caso também envolve apurações sobre o uso de emendas parlamentares e ligações com o escândalo do Banco Master, que atinge figuras políticas como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República e o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
O lançamento do Tela Brasil representa um movimento estratégico do governo federal para consolidar uma política pública de fomento e distribuição do audiovisual brasileiro, contrapondo-se ao domínio de plataformas internacionais.
Ao mesmo tempo, o evento evidenciou a polarização política atual, utilizando o palco cultural para demarcar diferenças éticas e de gestão em relação à oposição, especialmente no que tange ao financiamento de produções cinematográficas.
As implicações imediatas envolvem não apenas a facilitação do acesso gratuito à cultura para a população, mas também o acirramento do debate público sobre a transparência e o uso de recursos no setor audiovisual em meio às investigações que cercam obras ligadas a aliados da gestão anterior.
Como acessar
Para acessar a plataforma de streaming Tela Brasil, basta entrar no site oficial através do link abaixo:
Passo a passo:
- Entre no site indicado acima.
- Faça o login utilizando os seus dados do cadastro Gov.br (o mesmo usado para outros serviços do governo federal).
- Após o login, você poderá personalizar seu perfil e definir uma senha PIN para o controle de classificação indicativa.
Atualmente, o serviço está disponível na versão web e conta com um aplicativo para Windows. A previsão é que os aplicativos para celulares (iOS e Android) sejam lançados nas próximas semanas.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.















