O experiente extrativista Reginaldo Reis, de 57 anos — conhecido como Mauro — desapareceu misteriosamente na zona rural de Novo Progresso, no sudoeste do Pará, e já está há oito dias sem dar qualquer sinal de vida. A informação foi divulgada pelo jornal Folha do Progresso, que relatou o início das buscas pelo Corpo de Bombeiros na região entre a Floresta Nacional do Jamanxim e o Parque do Rio Novo, área densa e de difícil acesso.
Natural do Maranhão, Mauro trabalhava na coleta de cipó nas proximidades da Fazenda Mantovani, a cerca de 60 km da sede municipal de Novo Progresso, quando foi visto pela última vez. A família, preocupada com a ausência incomum, registrou o desaparecimento ainda na tarde de terça-feira (25). Os bombeiros iniciariam as buscas na manhã desta quarta-feira (26), mas até o fechamento da matéria não havia qualquer indício do paradeiro do trabalhador.
Amigos e colegas afirmaram que Mauro tem mais de 20 anos de experiência em atividades extrativistas e conhece profundamente a mata. Nunca havia desaparecido antes — o que aumenta a preocupação e levanta a possibilidade de que algo grave tenha acontecido.
O que pode ter ocorrido?
A região onde Mauro atuava é sabidamente hostil, com terreno acidentado, cursos d’água, animais selvagens e longas trilhas que mudam com as chuvas. Ainda assim, por ser um trabalhador experiente, especialistas consideram improvável que ele simplesmente tenha se perdido sem deixar rastros. Entre as hipóteses mais citadas por moradores e por quem conhece bem a área, destacam-se:
Acidente durante o trabalho – É possível que Mauro tenha caído em algum barranco, igarapé ou área de mata fechada, ficando imobilizado. Extrativistas que trabalham sozinhos costumam enfrentar esse risco — escorregões, quedas de galhos ou ataques de animais podem deixar a vítima incapaz de pedir ajuda.
Desorientação súbita – Mesmo profissionais experientes podem sofrer desorientação causada por cansaço extremo, insolação, queda de glicose ou algum outro mal súbito. Uma pessoa desorientada pode caminhar quilômetros sem controle e se afastar da área onde costuma atuar.
Encontro com terceiros – A região da Flona Jamanxim é marcada por conflitos fundiários, presença de caçadores, madeireiros ilegais e circulação de grupos que evitam contato com moradores. Não pode ser descartada a hipótese de Mauro ter encontrado alguém na mata e ter sido impedido de retornar à comunidade — seja por conflito, ameaça, tentativa de coação ou crime.
Ameaça de animais de grande porte – Onças, porcos-do-mato e cobras de grande porte habitam a área. Embora ataques sejam raros, não são impossíveis. Em caso de encontro inesperado, o trabalhador poderia ter fugido para uma área mais remota ou ter sido ferido.
Problemas de saúde repentino – Um infarto, AVC ou crise aguda de saúde no meio da floresta poderia explicar uma interrupção abrupta do retorno.
Preocupação crescente
Com o avançar dos dias sem sinais do catador de cipó, moradores e familiares temem que a busca se torne mais complexa, já que as chuvas na região podem apagar rastros, dificultar trilhas e dispersar vestígios. O Corpo de Bombeiros deve ampliar o perímetro e usar técnicas de varredura em áreas alagadas e encostas.
Até agora, porém, a única certeza é o silêncio da mata.















