Senador afirma ter informações sobre tentativa de “liquidar a liquidação” do banco, enquanto Lira contra-ataca, chamando as falas de “fake news”
Brasília – O clima esquentou nesta terça-feira (19) em razão das intensas acusações de pressão sobre o Tribunal de Contas da União (TCU) no âmbito do caso Banco Master. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, afirmou que o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-presidente Arthur Lira (PP-AL) estariam atuando para “liquidar a liquidação” do banco. Lira respondeu ao senador com uma invertida: “Especializado em criar fake news (notícias falsas)”.
Lira desqualificou as falas de Calheiros como “fake news”, em um contexto de acirrada disputa eleitoral, que também envolveu críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista à GloboNews, o senador Renan Calheiros detalhou suas acusações, afirmando possuir “informações” de que Motta e Lira estariam exercendo pressão sobre “um setor do Tribunal de Contas da União” com o objetivo de reverter a liquidação do Banco Master.
O foco dessa suposta pressão recairia sobre ministros da corte indicados pelo chamado Centrão, com especial atenção ao ministro Jhonatan de Jesus. Jhonatan, ex-deputado pelo Republicanos — partido de Hugo Motta — e filho do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), foi indicado ao TCU pelo grupo em 2023 e atua como relator no caso envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A resposta do deputado Arthur Lira às acusações de Renan Calheiros foi imediata e incisiva. Em nota enviada ao site Poder360, Lira declarou que o senador “tem se especializado em criar fake news” e que suas afirmações buscam “chantagear o Governo, o Parlamento e tentar limpar a biografia, muito manchada por malfeitos”.
O contexto político é marcado por uma rivalidade direta entre Renan Calheiros e Arthur Lira em Alagoas, com ambos de olho nas duas cadeiras do Senado em 2026. Quanto a Hugo Motta, o jornal digital disse que procurou o presidente da Câmara, mas não obteve manifestação até o fechamento da reportagem.
Além das pressões no TCU, o senador Renan Calheiros também direcionou críticas à atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no andamento do Caso Banco Master.
Calheiros descreveu como “estranha” a forma como Toffoli teria “se apropriado da investigação e muito estranha a maneira em que ele transferiu o sigilo apurado nas investigações para o presidente do Senado”.
Em 2 de dezembro, apenas três dias após uma viagem com o advogado do ex-diretor de Compliance do Banco Master, o ministro Toffoli decretou sigilo sobre um pedido da defesa de Daniel Vorcaro.
Este pedido visava reconhecer a Justiça Federal como incompetente para tratar do caso, e o sigilo de “nível máximo de restrição” foi imposto após a divulgação de que a Corte havia recebido a solicitação.
Em resposta a este cenário, Renan Calheiros se posiciona como o principal proponente de um grupo de trabalho na CAE do Senado, com a finalidade de supervisionar as investigações do Caso Master. A previsão é que esse grupo, composto por pelo menos 11 integrantes, inicie seus trabalhos a partir de 2 de fevereiro, após o término do recesso parlamentar.
As recentes declarações de Renan Calheiros e a contundente resposta de Arthur Lira revelam um quadro de intensa turbulência política em torno do Caso Banco Master, com ecos que atingem o Tribunal de Contas da União e o Supremo Tribunal Federal.
As alegações de pressão sobre membros do TCU e as críticas à condução de investigações no STF elevam o tom de um debate que transcende as esferas processuais, imergindo em uma disputa política de alto calibre, especialmente na corrida pelas cadeiras do Senado em Alagoas.
A iniciativa de criar um grupo de trabalho no Senado sinaliza que o tema permanecerá sob o escrutínio parlamentar, mantendo os olhos do Legislativo, do Judiciário e da opinião pública voltados para os próximos capítulos deste complexo embate.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.















