Um protesto organizado por caminhoneiros e seus familiares bloqueia a entrada da Alça Viária desde o início da manhã desta terça-feira (30). O ato ocorre no entroncamento inferior do Viaduto da Alça Viária com a rodovia BR-316, interditando o fluxo de quem se desloca de Marituba e Benevides no sentido à capital paraense. O trânsito na Região Metropolitana de Belém enfrenta quilômetros de congestionamento.
O nó no trânsito
De acordo com relatos apurados em campo pela equipe de reportagem, a mobilização reúne cerca de 100 manifestantes e é acompanhada de perto por viaturas da Polícia Militar, mantendo-se pacífica até o momento.
No entanto, o impacto na mobilidade urbana é severo: os manifestantes estão liberando apenas uma faixa estreita da pista, fazendo com que os veículos passem “de um em um”. Como reflexo do afunilamento, até mesmo a pista exclusiva do BRT apresenta forte retenção devido ao volume de caminhões e veículos que tentam desviar pelo local.
Reivindicações: de restrição de peso à “Rodovia dos Caminhoneiros”
Lideranças do movimento relatam que tentam estabelecer um canal de diálogo com o Governo do Estado desde 2023, mas decidiram partir para o bloqueio devido à falta de resoluções práticas.
A categoria contesta as restrições de horários e de tonelagem impostas na BR-316 desde o início das obras do BRT, em 2019. Atualmente, o limite estipulado por decreto é de 15 toneladas, mas os trabalhadores cobram a alteração definitiva para 29 toneladas e a liberação do tráfego de veículos articulados pela Avenida Independência.
Os manifestantes também cobram a execução do projeto da “Rodovia dos Caminhoneiros”. A nova via — projetada para iniciar na Estrada de Mosqueiro, passar por Santa Maria de Benfica, cortar Marituba, cruzar o Distrito Industrial e findar na Avenida Independência — é apontada pela categoria como uma solução para desafogar o saturado tráfego de carga pesada na BR-316. Segundo o movimento, órgãos como DETRAN, CETRAN, Alepa e a Secretaria de Obras já têm conhecimento do projeto, mas ele não avançou.
Relatos da categoria apontam supostas irregularidades em fiscalizações
Além das pautas estruturais e de tráfego, os manifestantes trouxeram a público queixas sobre a conduta de equipes de fiscalização nas rodovias. De acordo com relatos de caminhoneiros que participam do ato, haveria a aplicação de taxas consideradas abusivas e a exigência de guinchos particulares de longa distância — como de Salinópolis para Belém — em casos de retenção por atraso de licenciamento, gerando custos elevados para os motoristas.
A categoria também alega a ocorrência de supostas abordagens irregulares em blitz na região metropolitana, onde, segundo os relatos dos caminhoneiros, seriam feitas cobranças indevidas para a liberação da circulação de veículos pesados fora do horário regulamentar.
Sem previsão de liberação
O presidente da associação que lidera o movimento permanece no local dividindo-se entre a coordenação do ato e as conversas com as forças de segurança. Os manifestantes afirmam que a ocupação continuará e que a Alça Viária só será totalmente desobstruída quando um representante oficial do Governo do Estado comparecer ao local para iniciar as negociações com a categoria.
O espaço do portal permanece aberto para as manifestações oficiais das autoridades e órgãos citados pelas lideranças do movimento. A reportagem do Ver-o-Fato já formalizou um pedido de nota junto às assessorias do Governo do Pará e do Departamento de Trânsito do Estado (DETRAN) para que possam se posicionar sobre as negociações da pauta e as declarações apresentadas pelos manifestantes.
*Reportagem de Victor Oliveira















