Audiências com empregadores, especialistas e centrais sindicais antecedem a apresentação do relatório final
Brasília – A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa o fim da escala 6×1 inicia uma semana decisiva, pois o colegiado se prepara para a apresentação do parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos‑BA), marcada para quarta-feira (20). O projeto é a maior aposta do PT para elevar a aprovação do governo Lula, imóvel desde o início do ano e em empate técnico com o principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
O grupo avalia duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) relacionadas à redução da jornada semanal, enquanto empregadores, especialistas em saúde do trabalho, centrais sindicais e parlamentares participam de debates que buscam embasar tecnicamente o relatório.
A comissão entra na etapa final antes da votação prevista para terça-feira (26), de modo que realizará três dias de audiências públicas e encontros externos destinados a coletar subsídios para a redação final. A semana se estrutura com uma agenda progressiva que combina discussão técnica, participação de setores afetados e articulação política.
Nesta segunda-feira (18), às 16h, haverá a audiência pública inicial destinada à exposição da perspectiva dos empregadores. Entre os convidados estão representantes da CNI, CNC e outras entidades patronais, que tradicionalmente enfatizam impactos relacionados a custos adicionais, produtividade e adaptações exigidas por eventuais mudanças nas escalas de trabalho.
Na terça-feira (19), duas audiências tratarão dos impactos sobre a saúde e da posição das centrais sindicais. Pela manhã, às 10h, especialistas discutirão efeitos das jornadas extensas sobre saúde física e mental, destacando elementos como adoecimento, distúrbios do sono e riscos de acidentes.
À tarde, às 14h, será a vez das centrais sindicais analisarem aspectos sociais e familiares associados à redução da jornada, argumentando sobre possíveis melhorias na qualidade de vida.
A quarta-feira (20) concentra o momento central da semana, pois o relator apresentará o parecer consolidado após as discussões técnicas e políticas. A leitura do relatório representa uma síntese das manifestações coletadas e orientará os próximos passos do colegiado.
Além das atividades em Brasília, a agenda inclui encontros externos que ocorrerão em Minas Gerais, na quinta-feira (21), e no Amazonas, na sexta-feira (22). Esses compromissos buscam ampliar o diálogo com assembleias legislativas locais e permitir que trabalhadores e empresários regionais participem diretamente do debate.
As duas PECs em análise apresentam caminhos distintos. A PEC 221/2019 propõe a redução gradual da jornada semanal de 44 horas para 36 horas e indica a possibilidade de reorganizar modelos tradicionais como a escala 6×1.
Já a PEC 8/2025 sugere a adoção de uma semana laboral de quatro dias, com carga semanal de até 36 horas, modelo que tem sido discutido internacionalmente em estudos sobre produtividade e bem-estar.
Os atores envolvidos incluem o relator Leo Prates, as entidades do setor produtivo, as centrais sindicais e especialistas em saúde do trabalhador. Todos foram convidados para oferecer subsídios que permitam avaliar implicações sociais, econômicas e políticas da alteração da jornada.
Entre as implicações discutidas, a mudança pode trazer benefícios à saúde e ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal dos trabalhadores.
Paralelamente, empresas avaliam possíveis custos operacionais e desafios de reorganização.
Já o ambiente político exige articulação ampla, considerando que a aprovação de uma PEC demanda ao menos 308 votos em dois turnos no plenário.
Ao final, a semana revela um processo que combina debates técnicos, disputas políticas e articulações sociais, o que poderá resultar em mudanças significativas na legislação trabalhista brasileira.
Caso avance, a medida pode aproximar o país de modelos globais de reorganização laboral, influenciando diretamente rotinas, custos de operação e políticas públicas voltadas ao trabalho.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.














