Zequinha Marinho, Cleitinho e Romário retiram assinaturas da proposta bolsonarista após mobilização de sindicatos e críticas nas redes sociais
Brasília – Em meio a uma intensa mobilização de movimentos sociais e sindicatos nas redes sociais, três senadores retiraram suas assinaturas da da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 12/2026 que institui um regime de jornada flexível baseado em horas trabalhadas, funcionando como um contraponto direto à PEC do fim da escala 6×1. O senador paraense Zequinha Marinho (Podemos-PA) foi o primeiro a anunciar a retirada de sua assinatura da proposta.
A retirada de apoio ocorre em um contexto de proximidade com o calendário eleitoral e reflete a pressão política exercida pela base eleitoral dos congressistas que apoiaram a proposta considerada prejudicial aos direitos trabalhistas, segundo a mobilização de organizações que apoiam o governo.
A PEC 12/2026, de autoria dos senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi protocolada um dia após a Câmara dos Deputados aprovar sua própria versão da proposta, que prevê o fim da escala 6×1 com a implementação de uma jornada de 40 horas semanais sem redução salarial durante um período de transição de 14 meses.
A proposta bolsonarista, por sua vez, enfatiza a flexibilização das relações trabalhistas por meio de acordos individuais entre empregador e empregado, removendo a participação de sindicatos nas negociações, o que enfureceu os sindicatos, segmento ao qual Lula deve sua origem política.

Segundo informações divulgadas em suas redes sociais, Zequinha Marinho justificou sua decisão afirmando que votaria pelo fim da escala 6×1 no Senado, razão pela qual pediu a retirada de sua assinatura.
Ele ressaltou que havia assinado a proposta porque considerava importante que o tema fosse debatido na Casa, mas reconheceu que “política também é” levar em conta as demandas de sua base eleitoral.
Críticos da proposta bolsonarista, particularmente parlamentares de esquerda e movimentos sindicais, passaram a denominar a iniciativa como a “PEC da Escala 7×0” ou “PEC do Trabalho Escravo”, argumentando que a remoção da participação sindical nas negociações colocaria os trabalhadores em situação de vulnerabilidade frente aos empregadores.
Essa caracterização ganhou força nas redes sociais e em campanhas de mobilização, contribuindo para o desgaste político dos signatários da proposta.
Além de Zequinha Marinho, os senadores Cleitinho e Romário também retiraram suas assinaturas da PEC 12/2026. Cleitinho, em declaração posterior, mencionou que havia assinado a proposta como uma “cortesia” aos colegas, mas mudou de posição após receber feedback negativo de sua base eleitoral.
Enquanto Romário, também comunicou sua decisão de retirada de apoio, alinhando-se à tendência de recuo observada entre os parlamentares.
Embora a retirada de assinaturas não derrube formalmente a proposta, uma vez que a PEC já foi protocolada com o número mínimo de assinaturas exigidas, o movimento sinaliza uma resistência política significativa e reflete a sensibilidade dos senadores às demandas de seus eleitores em um contexto de proximidade com o calendário eleitoral.
A dinâmica legislativa em torno da questão da escala 6×1 permanece em aberto, com duas propostas em tramitação conjunta no Senado Federal, representando visões distintas sobre a flexibilização das relações trabalhistas no Brasil.
A aprovação da PEC pela Câmara dos Deputados em maio de 2026 representou um avanço significativo para os defensores do fim da escala 6×1, enquanto a proposta alternativa do Senado mantém acesa a disputa sobre o modelo de regulação das jornadas de trabalho no país.
O resultado final dessa tramitação legislativa dependerá dos desdobramentos políticos nos próximos meses e da capacidade de mobilização de ambos os lados do debate.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.















