O Paysandu recebeu o Brusque e, mais uma vez, foi irreconhecível diante de sua torcida. O Papão entrou em campo determinado, com muita disposição, mas esbarrou na falta de criatividade e em uma sucessão de erros. O resultado não poderia ser outro: derrota.
O Paysandu perdeu para si mesmo. O Brusque, que veio disposto a explorar os erros do Papão, fez exatamente o que precisava. Aproveitou duas bolas recuperadas no meio-campo, encontrou seus gols e, com tranquilidade, viu um Paysandu afobado tropeçar nas próprias limitações.
No fim, o péssimo resultado para o Lobo foi mais do que justo para uma equipe que cria pouco, erra muito e não conseguiu transformar a força da torcida em um futebol capaz de justificar a luta pelo acesso.
Chegou a hora da verdade na Série C. O quadrangular final começou nesta segunda-feira (7) e, a partir de agora, não há mais espaço para erros. São apenas seis jogos para definir quem conquistará o tão sonhado acesso à Série B e quem verá o sonho escapar por mais uma temporada. É nesse momento que tradição, experiência e o peso da camisa fazem a diferença.
Foi nesse cenário de decisão que Paysandu e Brusque mediram forças às 18h, no Estádio Mangueirão, em Belém, pela primeira rodada do Grupo B do quadrangular do acesso da Série C do Campeonato Brasileiro. Era o primeiro desafio do Papão na fase mais decisiva da competição, um duelo em clima de final desde o apito inicial e a obrigação de largar na frente na corrida pelo acesso.
O Paysandu entrou em campo como quem sabia que não havia amanhã. Com a faca nos dentes e o sangue nos olhos, empurrado por um Mangueirão pulsando, o Papão sufocou o Brusque nos primeiros minutos. A equipe paraense tomou conta das ações, pressionou a saída de bola e encurralou os visitantes, que se limitaram a defender e buscar um contra-ataque para aliviar a intensa pressão bicolor.
Mas, aos 13 minutos, o Marreco mostrou por que chegou ao quadrangular como uma das equipes mais consistentes da Série C. Raimar encontrou um espaço na defesa bicolor e serviu JP Martins, que apareceu livre diante de Gabriel Mesquita. O atacante foi frio na finalização e não desperdiçou a oportunidade, colocando a bola no fundo das redes e silenciando o Mangueirão: 1 a 0 para o Brusque.
O gol obrigou o Paysandu a sair ainda mais para o jogo. O Papão empurrou o Brusque para trás, mas esbarrava na forte marcação catarinense. Havia muita vontade, porém pouca criatividade para transformar o domínio territorial em chances reais de gol. O goleiro Matheus Nogueira praticamente não era exigido, enquanto o time claramente havia sentido o gol.
Se o Paysandu buscava uma reação, o Brusque mostrava eficiência. Aos 30 minutos, Adrianinho recebeu pelo meio, deixou a marcação para trás e encontrou Marlyson em ótima condição. O atacante invadiu a área e tocou com categoria na saída de Gabriel Mesquita para ampliar a vantagem. O segundo gol do Marreco fez o silêncio tomar conta do Mangueirão, antes que as vaias ecoassem das arquibancadas: 2 a 0 para os visitantes.
Até que aos 40 minutos finalmente o Paysandu despertou. Em cobrança de falta, Marcinho cobrou falta e fez uma pintura no Mangueirão. A bola foi direto pro gol em uma curva que só o capitão Bicolor poderia explicar. O goleiro nem se mexeu, apenas olhou a bola entrar. Gol de placa! 1 a 2.
Depois do gol faltou tempo para o Papão buscar o empate. Foi um primeiro tempo de muita vontade e de grandes erros do Paysandu que custaram o placar. O Brusque jogou no erro do Papão e não desperdiçou nenhuma oportunidade, fez seus gols e complicou a vida Bicolor. Fim da primeira etapa: Paysandu 1, Brusque 2.
O segundo tempo começou com o Paysandu repetindo a postura e as limitações apresentadas na etapa inicial. O Papão tinha a posse da bola, pressionava e rondava a área adversária, mas esbarrava na falta de criatividade no último passe e na dificuldade para transformar o volume de jogo em oportunidades claras. A partida se concentrava praticamente inteira no campo de defesa do Brusque, porém a pressão bicolor era pouco efetiva. Com poucas chances de perigo para os dois lados, o jogo perdeu intensidade e caiu em um ritmo monótono.
E este cenário foi até o fim do jogo. O Paysandu novamente foi irreconhecível e perdeu pela própria incompetência. O Brusque veio pra jogar no erro do dono da casa e conseguiu o que queria, fez seus gols e saiu vitorioso com justiça. Fim de jogo: Paysandu 1, Brusque 2.
Escalações:
Paysandu: Gabriel Mesquita; Edilson, Carrerette, Gustavo Henrique e Taboca (Renan); Pedro Henrique, Caio Mello(Bryan Macapá) e Marcinho; Thayllon(Juninho), Kleiton Pego(Thalysson) e Ítalo. Técnico: Júnior Rocha.
Brusque: Nogueira; Medeiros, João Maistro, Cipriano e Raimar; Bernardo(Jonathan), Gazão (Ariel) e JP Martins; Adriano, Petterson(Rafael) e Marlyson(Clinton). Técnico: Higo Magalhães.
Arbitragem
- Árbitro: Pierry Dias dos Santos (RJ);
- Árbitro Assistente 1: Raphael Carlos de Almeida Tavares dos Reis (RJ);
- Árbitro Assistente 2: Marcelo Araujo Ossimo (RJ);
- Quarto Árbitro: Wanbelton Lisboa Valente (PA).
- VAR: Alexandre Vargas Tavares de Jesus (RJ).















