A morte súbita da CPMI do INSS
A CPMI do INSS caminha para um fim melancólico, asfixiada pelo STF e sabotada pelo próprio governo. Com a agilidade de um atacante em final de campeonato, Flávio Dino deu uma canetada monocrática e anulou requerimentos aprovados, ignorando o aval do presidente do Senado. Como desgraça pouca é bobagem, a base governista aproveitou o apagão e fez o serviço sujo para encerrar de vez a festa.
A tropa de choque no Senado
Em uma votação que enterrou o colegiado no fundo do poço, os governistas atuaram em bloco para blindar os maiores operadores do esquema que lesou os aposentados. No Senado, o muro de proteção aos suspeitos foi erguido com os votos sonoros de petistas e outros partidos que se tornaram puxadinhos. A lealdade partidária, como sempre, falou mais alto.
Senadores que blindam ladrões dos aposentados:
Randolfe Rodrigues PT/AP
Jaques Wagner PT/BA
Eliziane Gama PSD/MA
Humberto Costa PT/PE
Tereza Leitão PT/PE
Meire Serafim UNIÃO/AC.
A tropa de choque na Câmara dos Deputados
Na Câmara, a operação abafa não foi menos descarada. Puxaram a fila da blindagem deputados, quase todos deputados do Baixo Clero, ou seja, medíocres, cujo trabalho parlamentar é uma nulidade. O cordão de isolamento foi fechado por uma trinca petista que tumultua a CPMI desde o início dos trabalhos, e um deles gosta de socar os adversários. Fica a lição amarga: a defesa do pensionista roubado é sempre a primeira a ser atirada ao mar.
Deputados federais que blindam ladrões dos aposentados:
Átila Lira PP/PI
Ricardo Maia MDB/BA
Patrus Ananias PT/MG
Alencar Santana PT/SP
Rogério Correia PT/MG
Dagoberto Nogueira PSDB/MS
Paulo Pimenta PT/RS
Pedro Uczai PT/ SC
Ribeiro Neto PRD/MA
Max Lemos PDT/RJ.
A roleta-russa de Vorcaro
Enquanto a CPMI afunda, o destino de Daniel Vorcaro, dono do finado Banco Master, virou um thriller de suspense com recados enviados pela imprensa. A mensagem é elíptica, mas cortante: ou a Segunda Turma do STF o solta, ou ele abre a boca em uma delação. E o banqueiro tem cartas ótimas no baralho, colecionando aliados como Moraes, Toffoli, Zanin, Alcolumbre, Hugo Motta e Ciro Nogueira.
O fiel da balança no STF
A tensão no plenário virtual do STF será alta, nesta sexta-feria (13), quando começa a sessão de julgamento da prisão preventiva de Vorcaro. Se Luiz Fux votar pela manutenção da prisão e Gilmar Mendes pela soltura, a bomba-relógio cairá no colo de Nunes Marques, a grande incógnita. Caso ele opte por libertar o réu — já que o empate favorece a defesa —, a narrativa estará servida. O PT terá munição farta para dizer que foi um ministro indicado por Jair Bolsonaro quem soltou o grande vilão nacional.
Delação em balcão de negócios
Se continuar preso, a delação de Vorcaro deixa de ser blefe e vira instinto de sobrevivência. Porém, com advogados rachados entre “amigos de Toffoli” e “amigos de Moraes”, o acordo seria um parto. Negociar com a Polícia Federal seria indigesto, dadas as provas pesadas já colhidas. Já tentar a sorte com a PGR de Paulo Gonet poderia render um “controle de constitucionalidade” providencial para aparar as arestas.
Jurisprudência do Colarinho Branco
Como o Brasil nunca decepciona na bizarrice, o caso do banqueiro inspirou um precedente surreal. Marcola, líder do PCC, acionou a Justiça pedindo o mesmo privilégio recém-concedido a Vorcaro pelo ministro André Mendonça: ter conversas com advogados sem gravação no parlatório. Sendo agora vizinhos de cela no presídio federal de Brasília, o colarinho branco provou que abre portas que o crime sempre sonhou.
Negócios e coincidências
Para completar o quadro de coincidências de Brasília, os negócios familiares em torno da Corte chamam a atenção. Kevin de Carvalho, filho do ministro Nunes Marques, brilha como advogado da Refit (Refinaria de Manguinhos). O detalhe pitoresco é sua atuação no TRF-1, mesma corte que seu pai integrou antes de ir ao Supremo. A porta giratória do lobby e do parentesco continua operando sem o menor pudor.
Val-André Mutran é repórter especial para o Portal Ver-o-Fato e está sediado em Brasília.
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