A vereadora Bia Caminha, do PT, eleita em novembro passado para a Câmara Municipal de Belém, anunciou por meio de sua assessoria que vai interpelar judicialmente o jornalista Lúcio Flávio Pinto. E qual foi o “crime” de Lúcio? Ele publicou em seu blog que ela teria arrecadado R$ 440 mil para aplicar na campanha eleitoral.
Na verdade, a candidata eleita aplicou R$ 26.276,10, como consta na sua prestação de contas parcial, que é de acesso público, segundo nota da assessoria da vereadora. Em seguida, na mesma nota, a assessoria informa que “pelo dano que esse tipo de informação pode causar à imagem pública da vereadora, a coordenação de seu mandato irá interpelar judicialmente o jornalista”.
Lúcio reconheceu o equívoco numérico, observando não ter sido R$ 440 mil que a candidata efetivamente gastou. Esse era o limite máximo previsto de arrecadação. “Cometi um erro ao tomar o limite maior permitido pela legislação eleitoral pelo gasto efetivamente feito. Penitencio-me pelo erro, que, não sendo doloso nem de má fé, não serviu para atacar, diminuir ou ofender a vereadora recém-eleita, como qualquer pessoa destituída de prevenção ou partidarismo pode perceber”, escreveu o jornalista.
Bia Caminha tinha a seu dispor o caminho democrático do exercício do direito de resposta, que Lúcio certamente não se recusaria em acatar, porque essa não é a índole dele. Preferiu, porém, revelar a veia autoritária. Muito cedo, aliás.
Lamentável nesse episódio não é o erro que Lúcio reconheceu ter cometido e dele se penitenciou, mas a atitude de tentar constrangê-lo perante a justiça. Pelo que se viu e leu na postagem do jornalista, ele não cometeu nenhum agravo à imagem da vereadora ou dano moral.















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