Mais de 4 anos e 7 meses após o colapso da barragem, o julgamento dos responsáveis pelo crime não foi realizado e os familiares clamam para que a Justiça se faça com mais celeridade. Apenas em 24 de janeiro deste ano a Justiça Federal acatou a denúncia do Ministério Público, tornando réus a Vale, a Tüv Sud e mais 16 pessoas físicas pelo rompimento da barragem.
Além disso, os familiares aguardam o Encontro de Maria de Lurdes Bueno, Nathália Araújo e Tiago Silva, as 3 vítimas que ainda não foram localizadas; e lutam pela Memória da tragédia, para que ela não caia no esquecimento e não se repita.
Os familiares das vítimas vão estar em Belém, durante a Expoxibram 2023, no Centro de Convenções & Feiras da Amazônia (Hangar), que começou ontem (28) e vai até o dia 31, quinta-feira. Lá, essas famílias estarão em um estande conversando com o público e expondo as consequências do rompimento da barragem da Vale, que matou 272 pessoas em 25 de janeiro de 2019. O julgamento dos responsáveis pela tragédia-crime até hoje não foi realizado.
A Exposibram é a maior feira de mineração da América Latina e esta é a quarta edição que conta com a presença dos familiares das vítimas. Estarão expostas as 272 fotos das vítimas que morreram, cartazes, livros, revistas, matérias de jornais e vídeos. No espaço, também serão distribuídos flyers de conscientização e com história da organização e botons.
Mães de vítimas: “não repetição do crime”
De acordo com Maria Regina da Silva, que integra a diretoria da Associação de Familiares das Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem de Brumadinho (Avabrum) e estará na Exposibram, a ação dos familiares na feira “é muito importante para fortalecer a luta pela não repetição do crime”.
Maria Regina é mãe de Priscila Elen Silva, que trabalhava na Vale como técnica em manutenção. “A gente gostaria de mostrar em todos os lugares onde existe uma barragem como foi a destruição e o mal que o crime da Vale em Brumadinho causou às famílias, aos trabalhadores e à comunidade”, afirma.

Jacira Francisca Costa, também integra da diretoria da Avabrum e estará na feira, reforça a relevância da presença dos familiares das vítimas da barragem de Brumadinho na Exposibram: “Vamos mostrar os contras da mineração, pois a falta de cuidado, de prevenção e a ganância mataram 272 pessoas em Minas Gerais. Queremos justiça para esse crime cruel, covarde, e que ele não caia no esquecimento”, diz a mãe de Thiago Mateus Costa, que era mecânico na barragem da Vale.
“Se a gente tivesse se perguntado mais quando aconteceu em Mariana, e até mesmo exigido que a empresa nos explicasse o ocorrido, talvez hoje não estivéssemos com o peso tão grande dessa perda horrível”, acrescenta Maria Regina, se referindo à barragem do Fundão, que rompeu em novembro de 2015 e matou 19 pessoas na cidade de Mariana, também em Minas Gerais.

“A Avabrum luta por Justiça, Encontro, Memória, Não repetição do crime da Vale e Direitos dos familiares” é o tema da exposição em Belém, no Hangar. E, na Exposibram, podemos mostrar a nossa luta dia após dia para que esse crime horrível não se repita”, reforça Jacira.
Realizada anualmente pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a Exposibram é uma feira internacional e conta com a participação das principais entidades relacionadas ao setor mineral, sendo a maior vitrine para geração de negócios deste mercado. Já o congresso debate cenários e revela as tendências do segmento.















