Na primeira entrevista após avançar para o segundo turno da disputa pela prefeitura de Belém, o candidato Eder Mauro (PL) fez declarações contundentes e traçou um panorama de sua estratégia de campanha contra Igor Normando (MDB), apoiado pelo governador Helder Barbalho. Confiante, Mauro classificou sua ida ao segundo turno como “justa” e ressaltou que agora terá o mesmo tempo de TV que o adversário, o que permitirá apresentar suas propostas de forma mais ampla à população.
Ele destacou que sua campanha buscará “atrair os eleitores de candidatos que não obtiveram êxito no primeiro turno, como Thiago Araújo e Jeferson Lima”, afirmando que muitos desses eleitores não concordam com Normando. “Nós vamos tentar conquistar esses eleitores, independentemente do apoio formal dos candidatos, para tirar a diferença e vencer a eleição”, disse Mauro.
Crítico à influência do grupo político de Helder Barbalho, Mauro fez duras acusações contra o que chamou de “tentativa de domínio” do estado por “uma única família”. Segundo ele, Belém enfrenta uma situação “antidemocrática”, e sua eleição seria fundamental para restaurar a democracia na cidade. Ele também mencionou o colapso na coleta de lixo, responsabilizando tanto o prefeito quanto o governo estadual pelo problema.
Outro ponto central da entrevista foi a segurança pública. Eder Mauro, que tem uma longa trajetória como policial, prometeu “aparelhar, treinar e armar a Guarda Municipal” para combater a criminalidade e o que chamou de “severa inércia” diante da cobrança de taxas pelo Comando Vermelho aos comerciantes de Belém. Ele ainda reforçou que, se eleito, sua administração não deixará a Guarda apenas “tomando conta de prédios e praças”, mas que ela será integrada de forma ativa ao sistema de segurança da cidade.
Em relação à COP30, que será realizada em Belém, Mauro se comprometeu a tratar o evento como uma oportunidade para discutir o equilíbrio entre progresso econômico e proteção ambiental, negando ser “negacionista” das mudanças climáticas, como acusado por adversários. Ele afirmou que está preparado para dialogar com líderes internacionais e cientistas, visando soluções que não prejudiquem a economia local, como o cultivo de açaí e a pecuária.
Sobre o apoio de figuras políticas de destaque, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Mauro indicou que ainda não tem definições claras, mas ressaltou que irá a Brasília para discutir a estratégia com líderes do PL.
Eder Mauro encerrou reafirmando sua postura combativa e o desejo de lutar contra o que chamou de “máfia da regulação” na área da saúde, prometendo uma gestão transparente e focada na melhoria dos serviços públicos para a população de Belém.
Outros trechos
Coleta de lixo: “Uma briga entre indicações de empresas para o serviço, o que resultou no acúmulo de lixo na cidade. Belém virou um lixão. Isso não foi só culpa do gestor municipal, mas também do governo do estado”.
Diálogo – “Eleito prefeito, vou dialogar com qualquer autoridade, incluindo o governador Helder Barbalho e o presidente Lula, desde que seja para o benefício de Belém. Belém está acima de todos nós”.
COP 30 – “Claro que sou a favor e pretendo discutir as questões climáticas com equilíbrio, de forma que as soluções ambientais não prejudiquem os pequenos produtores e o setor agropecuário da região. Os recursos destinados à cidade, que já começaram a ser liberados, serão rigorosamente aplicados. Cada centavo será investido para o benefício de Belém”.
Negacionismo – “São acusações de radicais da esquerda. Eu sou a favor do verde, da natureza, mas não podemos tomar decisões que prejudiquem quem coloca comida na nossa mesa. Minha proposta é de buscar um equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental”.
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