👉🏻Enquanto Brasil cobra 32,4% em impostos, Paraguai cobra apenas 14,5%, refletindo em preços até o dobro para eletrônicos, energia e automóveis
Brasília – Um levantamento realizado pelo site Poder360 em maio de 2026 revela disparidades significativas no custo de vida entre Brasil e Paraguai. De 17 produtos e serviços analisados, 13 apresentam preços mais elevados no mercado brasileiro, com diferenças que chegam a 150% em alguns itens. A análise evidencia que a carga tributária brasileira, elevada substancialmente no Governo Lula 3, é o principal fator responsável por essas variações, situação que contrasta com a estrutura fiscal mais reduzida do país vizinho.
Os eletrônicos emergem como a categoria com as maiores discrepâncias. Um iPhone 17 com 256 gigabytes de armazenamento é comercializado por R$ 7.999 na Apple Store brasileira, enquanto no Paraguai o mesmo aparelho custa aproximadamente R$ 4.250.
O MacBook Air M5 com 512 gigabytes apresenta diferença ainda mais expressiva, custando R$ 13.999 no Brasil e cerca de R$ 5.600 no Paraguai, equivalente ao preço de venda nos Estados Unidos.
Essa disparidade decorre dos impostos sobre importação, como IPI, ICMS e PIS/Cofins, que podem praticamente dobrar o preço final ao consumidor brasileiro. No Paraguai, a tributação sobre esses produtos é consideravelmente menor.
A carestia brasileira graças ao insaciável apetite do governo que é incapaz de controlar os gastos, tornam o custo da energia elétrica outro ponto crítico na comparação.
Conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o brasileiro paga em média R$ 0,73 por quilowatt-hora, enquanto o paraguaio desembolsa cerca de R$ 0,33 pela tarifa residencial da Ande, empresa estatal de energia do Paraguai.
A conta de luz é 133% mais cara no Brasil, apesar de ambos os países utilizarem energia proveniente da usina de Itaipu. Essa diferença também reflete a estrutura tributária distinta entre as nações.
A indústria automóvel igualmente apresenta variações consideráveis. Um Chevrolet Onix 2026 manual com motor 1.0, fabricado em Gravataí no Rio Grande do Sul, é vendido por R$ 101.790 no Brasil. O mesmo modelo é comercializado no Paraguai por aproximadamente R$ 70.000, representando uma diferença de 45,4%. Novamente, a tributação diferenciada explica a variação de preços entre os dois mercados.
Quando se analisa a carne bovina, observa-se que o produto também sai mais caro no Brasil, embora o documento não especifique a percentagem exata.
O cigarro ilustra bem o cenário tributário: segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os tributos representam de 70% a 90% do preço final de um maço vendido no Brasil. O Marlboro custa cerca de R$ 14 no mercado brasileiro e R$ 10,50 no Paraguai.
Essa diferença alimenta historicamente o contrabando, conforme aponta o estudo “O Novo Mapa do Contrabando” elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF), que revela que 96% de toda a produção de cigarros no Paraguai é destinada ao contrabando.

A explicação para essas disparidades reside na estrutura tributária dos dois países. Segundo o Ministério da Fazenda, a carga tributária brasileira atingiu 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, o maior patamar da série histórica iniciada em 2010.
No Paraguai, o percentual é de 14,5%, conforme dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Para efeito de comparação, no Paraguai o imposto de renda de pessoas físicas e empresas possui alíquota única de 10%, enquanto o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) é de 10% para a maioria dos produtos e 5% para alimentos e medicamentos.
Contudo, nem todos os itens são mais baratos no Paraguai. O Big Mac custa praticamente o mesmo nos dois países. Medicamentos genéricos como dipirona e paracetamol, além de absorventes femininos, apresentam preços menores no Brasil. A Farmácia Popular e a ampla oferta de genéricos ajudam a explicar essa diferença, uma vez que a lista de medicamentos do programa é subsidiada pelo governo, ou seja, paga pelos impostos do contribuinte, na velha tática petista de fazer bondades com o dinheiro do pagador de impostos, sem consultá-lo para isso, num indecente estelionato político.
Um aspecto importante para contextualizar a comparação envolve o salário mínimo. No Brasil, o piso nacional em 2026 é de R$ 1.621. No Paraguai, equivale a cerca de R$ 2.300, na conversão do guarani paraguaio para o real em 27 de maio de 2026, representando quase R$ 700 a mais. Porém, o salário mínimo mais elevado não necessariamente implica maior poder de compra.
Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas do Paraguai, 60% dos trabalhadores do país estão na informalidade. No Brasil, a taxa é de 37,5%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma parcela significativa dos paraguaios não recebe o valor integral do piso nacional, o que reduz o impacto prático dessa vantagem salarial.
Os dados levantados pelo Poder360 evidenciam que a estrutura tributária brasileira é o principal determinante das diferenças de preços entre os dois países.
A carga tributária elevada incide especialmente sobre eletrônicos importados, combustíveis, energia e produtos de consumo, tornando o Brasil um mercado significativamente mais caro para o consumidor final.
Essa realidade tem atraído empresas brasileiras para o Paraguai em busca de otimização de custos, fenômeno que merece atenção das autoridades brasileiras quanto às implicações econômicas e fiscais dessa migração produtiva.
Irresponsabilidade fiscal em ano eleitoral
Além da elevada carga tributária que já onera a economia, a irresponsabilidade fiscal do governo federal se manifesta de forma particularmente aguda em contextos eleitorais.
Neste cenário, o Executivo intensifica o lançamento de programas sociais de caráter populista, utilizando-os como instrumentos de atração de votos e consolidação de apoio político para a reeleição presidencial. Contudo, essa estratégia configura uma armadilha fiscal de consequências estruturais: o comprometimento crescente do orçamento público com despesas correntes de difícil reversão, a ampliação do déficit fiscal, o aumento da dívida pública e a redução da capacidade de investimento em infraestrutura e políticas de longo prazo.
Assim, a busca por ganhos eleitorais imediatos sacrifica a sustentabilidade das contas públicas, transferindo para gerações futuras o ônus de uma gestão fiscal irresponsável e perpetuando um ciclo de endividamento que compromete o potencial de crescimento econômico do país.
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.















