A briga política entre o deputado federal Éder Mauro e o vereador de Belém, Zezinho Lima, ambos do PL, culminou nesta terça-feira (4) na retirada do nome de Zezinho Lima da lista de candidatos a deputado estadual do Partido Liberal no Pará. A decisão foi tomada durante a convenção estadual do PL, realizada na capital.
O veto ao nome do vereador ocorre duas semanas após o estopim do conflito, em 22 de julho, quando Éder Mauro, principal liderança do PL no estado e agora candidato ao Senado, divulgou vídeos e documentos acusando Zezinho Lima e o presidente da Câmara de Belém, John Wayne (MDB), de articularem a produção de um vídeo com acusações falsas contra ele.
Na ocasião, Éder Mauro apresentou comprovantes de transferências via Pix que segundo ele, totalizariam ao menos R$ 20 mil. De acordo com o deputado, R$ 10 mil teriam sido pagos por John Wayne e outros R$ 10 mil divididos entre Zezinho Lima e uma mulher identificada como irmã do vereador. O objetivo, afirmou, seria desgastar sua imagem e prejudicar sua pré-candidatura ao Senado.
Zezinho Lima respondeu horas depois. Em vídeo, chamou Éder Mauro de “bandido”, “vagabundo” e “ladrão de emenda parlamentar da saúde” e o acusou de desviar recursos de emendas federais destinadas à saúde em Belém. O vereador protocolou notícia-crime na Polícia Federal e na Procuradoria-Geral da República, denunciando um suposto esquema de venda de emendas parlamentares comandado pelo deputado federal em mais de 15 municípios do Pará. Segundo Zezinho, o parlamentar receberia de volta entre 20% e 30% dos valores repassados.
A troca de acusações expôs um racha que já vinha se desenhando nos bastidores do PL paraense desde o início de 2026, agravado pela aproximação de Zezinho Lima com o prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), adversário de Éder Mauro nas eleições municipais de 2024. Aliados do deputado federal interpretaram a aliança como “traição política”.
Em nota na época, o presidente estadual do PL, deputado federal Joaquim Passarinho, afirmou que o partido acompanhava “com preocupação” o caso e que havia iniciado apuração interna. Nos bastidores, aliados de Éder Mauro defendiam a expulsão de Zezinho da legenda.
Durante a convenção estadual desta terça, a direção do PL optou por não incluir o vereador na relação de candidatos a deputado estadual pela sigla. O partido não divulgou nota oficial sobre os motivos específicos da exclusão até o fechamento desta reportagem.
O caso segue sob análise da Polícia Federal e da PGR. Zezinho Lima afirmou ter entregue material que inclui áudios, vídeos, prints de conversas e extratos bancários. Já a equipe jurídica de Éder Mauro informou que analisa as medidas judiciais cabíveis.
O embate também ganhou repercussão nacional. A vereadora Vivi Reis (PSOL) anunciou que articula com a bancada do partido na Câmara dos Deputados uma representação contra Éder Mauro no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.
Procurados, Éder Mauro e o vereador Mayky Vilaça (PL), aliado do deputado federal, não se manifestaram até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para posicionamento dos envolvidos.
A decisão do PL redefine o tabuleiro eleitoral no Pará às vésperas das eleições de 2026 e expõe as fraturas internas na principal legenda de direita do Estado.















