Ação na Doca e na Tamandaré começa semanas depois de reportagens apontarem furtos, lixo, equipamentos danificados, falta de manutenção e insegurança; município promete agora presença permanente da Guarda Municipal e zeladoria diária
Pouco mais de um mês depois de o Parque Linear da Tamandaré ser alvo de críticas e registros de deterioração, a Prefeitura de Belém anunciou uma nova operação de recuperação dos parques lineares da Tamandaré e da Doca, acompanhada de uma medida que busca atacar um dos principais problemas apontados por frequentadores: a falta de segurança e fiscalização contínua.
A força-tarefa, coordenada pela Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel), começou no dia 19 de agosto e, segundo o cronograma divulgado pela administração municipal, segue até o dia 28. A ação inclui limpeza, capinação, raspagem de valas, recuperação de quiosques, manutenção do paisagismo, reparos na iluminação e recuperação de equipamentos urbanos.
O anúncio, no entanto, ocorre após uma sequência de denúncias e reportagens que colocaram justamente os dois espaços — especialmente o Parque Linear da Tamandaré — no centro de discussões sobre conservação do patrimônio público e manutenção das áreas de lazer construídas ou reformadas para a cidade.
Parque inaugurado em novembro já apresentava sinais de abandono
Em 24 de julho, uma reportagem de O Liberal mostrou que o Parque Linear da Tamandaré, inaugurado em 3 de novembro de 2025, apresentava sinais de depredação e falta de manutenção antes mesmo de completar um ano de funcionamento.
A reportagem registrou portas de banheiros danificadas, lixo espalhado, equipamentos avariados, água acumulada, resíduos descartados em áreas de circulação e jardins e trechos que transmitiam aparência de abandono. Moradores e pessoas que circulavam pela área também relatavam preocupação com a segurança do espaço.
A situação não era exatamente uma novidade. Em fevereiro deste ano, outra reportagem já havia mostrado uma onda de furtos no Parque Linear da Tamandaré, com denúncias de retirada de lixeiras, guarda-sóis, cabos e elementos da iluminação. Na ocasião, moradores afirmavam que a falta de segurança e fiscalização facilitava a ação de criminosos.
Agora, seis meses depois daqueles primeiros registros, a Prefeitura reconhece que furtos e vandalismo contribuíram para afastar a população do local. Segundo o secretário executivo de Parques e Praças da Sezel, Orlando Maestri, a recuperação atual inclui a identificação de problemas como buracos na pista, mobiliário retirado ou danificado e falhas na iluminação.
Vigilância 24 horas surge como resposta ao principal problema
A principal novidade anunciada pela Prefeitura é a promessa de presença permanente da Guarda Municipal de Belém nos dois parques, 24 horas por dia. Além disso, cada espaço deverá contar com um zelador responsável pela fiscalização diária.
No Parque Linear da Tamandaré, o Quiosque 3 está sendo adaptado para funcionar como ponto fixo da Guarda Municipal. A expectativa do município é que a presença constante reduza furtos, vandalismo e novas depredações.
A medida representa uma mudança importante em relação às críticas feitas no início do ano. Em fevereiro, moradores já denunciavam que o parque sofria com furtos recorrentes e questionavam justamente a ausência de segurança permanente no local.
Resta saber, porém, se a nova estrutura será mantida de forma contínua após o encerramento da força-tarefa. A promessa de vigilância 24 horas e de zeladoria diária surge como resposta direta a um problema que, segundo as denúncias e reportagens dos últimos meses, não se limitava a episódios isolados de vandalismo.
Prefeitura já havia realizado reparos na Doca em junho
O Parque Linear da Doca também passou por intervenções recentemente. Em 2 de junho, a própria Prefeitura anunciou serviços de manutenção após a identificação de brinquedos danificados, vazamento em uma tubulação de água, porta de quiosque arrombada, postes danificados e um equipamento de sinalização derrubado.
Na época, o município informou que os reparos seriam concluídos até o dia 8 de junho e classificou os serviços como parte de um trabalho contínuo de conservação dos espaços públicos.
A nova operação anunciada em agosto mostra, no entanto, que a necessidade de manutenção continuou presente. Desta vez, a Prefeitura incluiu a Doca em uma ação conjunta com a Tamandaré e acrescentou um componente que não aparecia como solução central nas intervenções anteriores: a vigilância permanente.
Desafio será evitar que recuperação se transforme em ciclo
O caso dos parques lineares evidencia um desafio recorrente na administração de grandes espaços públicos: a diferença entre realizar uma revitalização pontual e manter uma política permanente de conservação.
Em maio, a Prefeitura informou que mais de 34 praças e parques haviam recebido algum tipo de manutenção ou revitalização entre setembro de 2025 e abril de 2026. Entre os locais citados estava justamente o Parque Linear da Doca.
Ainda assim, os problemas voltaram a aparecer em diferentes pontos dos parques nos meses seguintes. No caso da Tamandaré, o cenário é ainda mais simbólico: um espaço inaugurado em novembro de 2025 passou a enfrentar denúncias de furtos poucos meses depois e, em julho, já era retratado com sinais de sujeira, equipamentos danificados e deterioração.
A operação iniciada agora pretende recuperar estruturas, retirar mato de áreas esportivas, substituir areia da quadra, reparar a iluminação, proteger quiosques desocupados e recolocar mobiliários onde houver necessidade. Mais de 80 trabalhadores foram mobilizados para os serviços no Parque Linear da Tamandaré.
A Prefeitura afirma que o objetivo é devolver os dois espaços à população e estimular novamente o uso por famílias, esportistas e frequentadores. Mas, diante do histórico recente, o principal teste da nova estratégia começará depois que as equipes deixarem o local.
Se a promessa de Guarda Municipal 24 horas, fiscalização diária e manutenção contínua for efetivamente mantida, os parques poderão romper o ciclo de recuperação seguida por novos episódios de depredação e abandono. Caso contrário, as imagens e denúncias que ganharam força nas últimas semanas poderão voltar a se repetir em espaços que deveriam funcionar como áreas permanentes de convivência, lazer e esporte.
A resposta agora dependerá menos da operação emergencial de agosto e mais da capacidade de transformar a manutenção e a segurança anunciadas em uma rotina permanente.















