Seis anos após a morte da cantora paraense Cleide Moraes, conhecida como a “Rainha da Saudade”, Victor Hugo dos Reis Morais, acusado de provocar o acidente que matou a artista deverá ser levado a júri popular. A decisão foi mantida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou o último recurso apresentado pela defesa de Victor Hugo.
A informação foi confirmada por Brenda Moraes, filha da cantora. Segundo ela, após a decisão do STF, a juíza da Comarca de Benevides deverá definir a data do julgamento.
Na decisão mais recente, o ministro Gilmar Mendes negou seguimento ao recurso extraordinário da defesa e manteve o entendimento da Justiça do Pará de que o caso deve ser analisado pelo Tribunal do Júri. Victor Hugo responde por homicídio e tentativa de homicídio com dolo eventual, quando o acusado assume o risco de produzir o resultado.
O ministro entendeu que o pedido da defesa exigiria uma nova análise das provas do processo, o que não é permitido nessa fase processual pelo STF. Com isso, permanece válida a decisão que determina que os jurados decidam sobre a responsabilidade criminal do acusado.
Relembre o caso
Cleide Moraes morreu na noite de 26 de julho de 2020, após um grave acidente na rodovia PA-391, que liga Belém a Mosqueiro. A cantora retornava de uma apresentação quando o veículo em que estava foi atingido por um carro conduzido por Victor Hugo dos Reis Morais.
Reconhecida como uma das maiores intérpretes do brega e do bolero paraense, Cleide era chamada carinhosamente pelo público de “Rainha da Saudade”. Sua morte causou grande comoção no Pará e mobilizou artistas, fãs e autoridades.
Segundo o Ministério Público, Victor Hugo teria realizado uma ultrapassagem indevida e apresentava sinais de embriaguez no momento do acidente. Além da morte da cantora, outra pessoa ficou ferida.
Em 2022, o Tribunal de Justiça do Pará decidiu que havia elementos suficientes para que o acusado fosse submetido ao Tribunal do Júri. A defesa recorreu às instâncias superiores, mas os recursos foram rejeitados. Agora, com a decisão do STF, resta apenas a definição da data para que o caso seja julgado pelo júri popular.















