O ator Luis Gustavo Blanco morreu aos 87 anos neste domingo, 19. Ele estava em Itatiba cuidando de um câncer no intestino desde 2018 mas não resistiu às complicações. Na TV Globo, Luis Gustavo tinha como trabalhos de destaque mais recentes participações em Malhação, em 2012, e no seriado As Cariocas: A Invejosa de Ipanema, de 2010.
Ele estava vacinado contra a covid-19 desde fevereiro. Luis Gustavo era casado com Cris Botelho e pai de Luis Gustavo Vidal Blanco (que tinha como mãe Heloísa Vidal) e Jéssica Vignolli Blanco (fruto do casamento do ator com a atriz Desireé Vignoll).
Ele deixa também a neta Marina Hoagland Blanco Buzzone e os sobrinhos Tato Gabus Mendes e Cássio Gabus Mendes. Luis Gustavo é de 2 de fevereiro de 1934. Ele nasceu na cidade de Gotemburgo, Suécia, e seus pais espanhóis chegaram ao Brasil quando o ator era ainda criança.
No início da carreira, ele se tornou assistente de direção de programas como o teleteatro TV de Vanguarda. Sua primeira novela foi Se o Mar Contasse, de Ivani Ribeiro, na TV Tupi, em 1964, e logo atuaria também nas novelas O Sorriso de Helena, O Direito de Nascer, O Amor Tem Cara de Mulher, Estrelas no Chão e Beto Rockfeller.
Na TV Globo, alguns dos maiores sucessos vieram com o costureiro Ariclenes Almeida / Victor Valentin na novela Ti Ti Ti, o músico cego Léo em Te Contei? e o playboy Ricardo em Anjo Mau, todas de Cassiano Gabus Mendes.
Mas, talvez, o sucesso mais recente, e o que o tornará lembrado por muitas pessoas, é o personagem Vanderlei Mathias, o Vavá, do extinto programa humorístico Sai de Baixo, da TV Globo.
Luis Gustavo imprimia credibilidade a seus personagens
Por Ubiratan Brasil
Luis Gustavo não figurava no rol dos atores ecléticos, aqueles que desempenham com desenvoltura papéis completamente distintos – sua entonação era praticamente a mesma para diferentes personagens, assim como seu gestual corporal. Mas o que distinguia Luis Gustavo era a verdade que imprimia em cada figura que representava, algo tão especial que imediatamente cativava o espectador e garantia o sucesso de seu personagem.
Parece fácil, mas não é. Basta lembrar de Mário Fofoca, o desastrado detetive da novela Elas por Elas (1982), que solucionava os casos muitas vezes na base da sorte.
Criado para ser um personagem secundário, Mário Fofoca logo foi adotado pelos fãs, a ponto de, no auge de sua popularidade, o autor da novela, Cassiano Gabus Mendes, ter a ousadia de dedicar um capítulo inteiro da novela à sua rotina – os demais personagens se tornaram coadjuvantes. O sucesso foi tamanho que inspirou ainda uma série na TV e um filme.
Como Mário Fofoca, Luis Gustavo exibia uma rara e convincente ingenuidade, que o impedia de perceber os erros que cometia e, por isso mesmo, o tornava tão especial.
Estabelecer uma cumplicidade com o espectador é um trabalho de anos, de somatório de trabalhos, até chegar no momento em que o ator tem no público seu aliado fiel.
No cinemas, foram raras as figuras que ostentavam naturalmente sua credibilidade. James Stewart e Henry Fonda são dois exemplos: a dor que seus personagens sentiam era crível e compartilhada pelas pessoas.
Como Vanderlei Mathias, o Vavá, no seriado humorístico Sai de Baixo, Luis Gustavo apresentava o personagem que, em meio a trambiqueiros e ingênuos, resistia e ainda lutava por uma situação ordeira, dentro da lei, mesmo que isso impedisse alguma vantagem.
E o uso de suspensórios só reforçava a imagem de um homem equilibrado. Era preciso um ator como ele, que fosse ao mesmo tempo engraçado e justo.
Mesmo quando representava um malandro, como Beto Rockfeller, na novela do mesmo nome, de 1968, que revolucionou a teledramaturgia brasileira, Luis Gustavo criava a empatia com sua comicidade, um tom coloquial que foi decisivo para estipular novos rumos da novela no País.
Com seu estilo de uma pessoa em que todos podem confiar, Luis Gustavo deu credibilidade, na arte, aos personagens de que todos gostam de amar.















