Um grave acidente envolvendo dois eletricistas terceirizados expôs, mais uma vez, o cenário de risco extremo e negligência que marca o trabalho em redes de energia no Pará. Após denúncia do Sindicato dos Urbanitários, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) abriram procedimentos para apurar por que o suporte do cesto aéreo de um caminhão munk — claramente sem manutenção adequada — rompeu e lançou os trabalhadores ao chão durante serviço em rede de alta tensão, na manhã de quinta-feira (27), em Ananindeua.
O Sindicato dos Urbanitários do Pará responsabiliza a empreiteira Dínamo, terceirizada da Equatorial Pará, pelo acidente que deixou dois eletricistas gravemente feridos. Para a entidade, tanto a empresa executora quanto a concessionária, detentora dos serviços da antiga Celpa, “demonstram desprezo pela vida humana ao não fiscalizar condições mínimas de segurança”.
Segundo a denúncia, o desastre ocorreu porque o suporte do cesto aéreo do caminhão munk se rompeu durante o trabalho. A queda ocorreu enquanto os trabalhadores realizavam manutenção na rede de alta tensão na avenida Hélio Gueiros, área de intenso movimento. O presidente do Sindicato, Pedro Blois, foi categórico: “Não precisa ser especialista para constatar que o equipamento quebrado é fruto de falta de manutenção e completo desrespeito à vida”.
Para o movimento sindical, o caso não é isolado, mas sintomático de uma rotina marcada por pressão, terceirização desordenada e omissão de empresas que contratam, pagam, mas não fiscalizam. “A Equatorial contrata, mas não exige o cumprimento de normas de segurança, mesmo sendo concessionária e responsável pela distribuição de energia no Pará”, acusa Blois.
Proteção que empresas devem garantir
O acidente escancara a urgência de medidas estruturais de proteção ao trabalhador — não como concessão voluntária das empresas, mas como obrigação legal e moral. Em atividades de alto risco, como manutenção em redes elétricas:
Equipamentos devem passar por inspeção rigorosa e periódica, com documentação, testes e substituição de peças antes que apresentem falhas.
A gestão de risco precisa ser real, não burocrática, com análise contínua de perigos e adoção de protocolos que impeçam o uso de maquinário inseguro.
Fiscais internos e externos devem ser atuantes, garantindo que terceirizadas cumpram as mesmas exigências impostas à empresa principal.
Treinamento obrigatório, reciclagem constante e cultura de segurança devem ser políticas permanentes, não apenas discursos pós-acidente.
A terceirização não pode servir de escudo: a empresa contratante também responde pela integridade física e pela vida dos trabalhadores que mantêm seus serviços funcionando.
Quando essas garantias falham — ou são ignoradas —, a consequência é sempre a mesma: vidas dilaceradas, famílias destruídas e uma cadeia produtiva que só se sustenta à custa de sangue.















