Mensagens espalhadas nas redes sociais afirmam que uma transferência de um centavo seria suficiente para invadir celulares e roubar dados bancários. Especialistas e órgãos do sistema financeiro alertam que a história é falsa — mas criminosos podem usar o pequeno depósito como porta de entrada para uma fraude.
Uma nova onda de mensagens alarmistas sobre o chamado “golpe do Pix de R$ 0,01” voltou a circular nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, espalhando o medo de que uma simples transferência de um centavo pudesse dar a criminosos acesso ao celular ou à conta bancária da pessoa que recebeu o dinheiro.
A afirmação, porém, é falsa.
Receber um Pix de R$ 0,01 — ou de qualquer outro valor — não instala programas, não invade o aparelho e não permite, por si só, o acesso de terceiros ao aplicativo bancário. Uma transação financeira é apenas uma transferência de recursos e não cria automaticamente uma conexão que dê ao remetente controle sobre o dispositivo do destinatário.
Isso não significa, entretanto, que uma transferência inesperada de valor baixo deva ser completamente ignorada.
O verdadeiro perigo pode começar depois do depósito.
O centavo pode ser apenas a isca
A estratégia por trás da preocupação envolve a chamada engenharia social. O criminoso realiza uma pequena transferência para chamar a atenção da vítima e, em seguida, tenta estabelecer contato por telefone ou aplicativos de mensagens.
Em uma das versões possíveis, o golpista se apresenta como funcionário de banco, integrante de uma equipe de segurança ou representante de uma instituição financeira. O objetivo é convencer a pessoa de que aquela transferência de R$ 0,01 teria provocado algum problema ou que sua conta estaria comprometida.
A partir daí, o criminoso pode tentar obter senhas, códigos de confirmação ou induzir a vítima a instalar aplicativos falsos e clicar em links maliciosos.
Ou seja: o golpe não acontece porque a pessoa recebeu um centavo, mas porque o pequeno Pix pode ser usado como pretexto para uma abordagem fraudulenta.
O que fazer se receber um Pix de R$ 0,01 de um desconhecido?
A orientação é simples: não há motivo para pânico e não é necessário trocar imediatamente senhas ou bloquear a conta apenas porque uma transferência de pequeno valor apareceu no extrato.
O cuidado deve aumentar caso alguém entre em contato em seguida.
Bancos e instituições financeiras não devem solicitar senhas, códigos de autenticação ou a instalação de programas durante uma ligação inesperada. Qualquer pedido desse tipo deve ser tratado como suspeito.
Se o remetente alegar que enviou o dinheiro por engano e pedir a devolução, o Banco Central recomenda que a pessoa confira primeiro se o valor realmente entrou na conta. Confirmada a transferência, o procedimento mais seguro é utilizar a própria função de devolução do Pix disponível no aplicativo bancário.
O dinheiro, assim, retorna diretamente à conta de origem. O que não deve ser feito é realizar uma nova transferência para uma conta indicada pela pessoa que entrou em contato. Essa prática pode abrir espaço para fraudes e até para tentativas de obtenção de pagamento em duplicidade.
Transferências de baixo valor também podem ser usadas como mensagem
O caso ganhou ainda mais atenção porque transferências de valores irrisórios, especialmente de R$ 0,01, vêm sendo utilizadas para outros fins.
O próprio Banco Central já identificou o uso inadequado do campo de mensagens do Pix em transferências de baixo valor, inclusive para o envio de ameaças e ofensas. O tema passou a ser discutido pelo órgão em busca de medidas que possam impedir a utilização indevida do sistema de pagamentos como instrumento de comunicação.
Essa situação, no entanto, não deve ser confundida com a alegação viral de que receber um Pix de um centavo permite automaticamente a invasão da conta bancária.
Se cair em um golpe, vítima deve agir rapidamente
Caso a pessoa tenha fornecido informações sigilosas, realizado uma transferência induzida por criminosos ou percebido movimentações suspeitas, a recomendação é entrar em contato imediatamente com o banco pelos canais oficiais.
O Banco Central também orienta que a vítima acione o Mecanismo Especial de Devolução (MED), disponível para casos de fraude, e registre um boletim de ocorrência. Atualmente, o pedido de devolução pode ser feito em até 80 dias após a transação, embora a rapidez na comunicação aumente as chances de recuperação dos valores.
Em resumo
A história de que um simples Pix de R$ 0,01 consegue invadir um celular é falsa. Mas o pequeno depósito pode ser utilizado como parte de uma estratégia de manipulação.
O alerta, portanto, precisa ser corrigido: o problema não está no centavo recebido, mas no que o criminoso tenta fazer depois dele. O golpe depende da interação da vítima — seja ao atender uma ligação suspeita, clicar em um link, instalar um aplicativo ou fornecer informações bancárias.
Em tempos de fraudes cada vez mais sofisticadas, a regra continua sendo a mesma: não confie em contatos inesperados, não forneça códigos ou senhas e sempre procure o banco diretamente pelos canais oficiais.
Fonte: tecmundo.com.br














