Após 50 anos da estréia do grupo e 15 anos no anonimato, o grupo porto-riquenho anuncia volta aos shows com a turnê nas Américas batizada “Menudo 50”; acredite: há fanáticos fãs até hoje
Brasília – Se você tem por volta de 60 anos e acha que já viu tudo na vida, não tenha tanta certeza: agora, não falta mais nada, o Menudo está de volta. O público que acompanhou o Menudo nos anos 1980 agora presencia o retorno da banda porto-riquenha. O fenômeno não surpreende em um cenário onde artistas locais como Bad Bunny dominam as paradas internacionais e consolidam Porto Rico como potência musical global.
O retorno do Menudo ocorre em contexto de competição direta com nomes que estabeleceram novos padrões de sucesso na indústria do entretenimento latino-americano.
O projeto reúne integrantes de diferentes fases da trajetória do conjunto porto-riquenho e prevê apresentações em cidades dos Estados Unidos, como Inglewood, Rosemont e Nova York, além de datas confirmadas no México e em Porto Rico. Não foi anunciado a agenda da turnê no Brasil.
A iniciativa marca o retorno oficial aos palcos da Boyband após um hiato de 15 anos e ocorre em um momento de revisão do legado da marca que estabeleceu o modelo de boybands na América Latina.
Formação original e sistema de gestão
A banda foi criada em 1977 pelo produtor Edgardo Díaz em Porto Rico sendo que a formação inicial contava com os irmãos Fernando e Nefty Sallaberry juntamente com os irmãos Carlos, Óscar e Ricky Meléndez.
O modelo de negócio baseava-se em um sistema de rodízio estrito onde os componentes eram substituídos ao completarem 16 anos ou caso apresentassem mudanças na voz decorrentes da puberdade.
Outro critério para a permanência envolvia a altura dos jovens visto que o empresário buscava manter uma estética infantilizada para o público-alvo. Nesse contexto de substituições constantes, Ricky Meléndez destacou-se como o integrante de maior permanência ao atuar entre 1977 e 1984.
Ele serviu como o elo central entre a fundação e a chamada “Era de Ouro” do grupo que ocorreu na década de 1980. A estrutura contratual priorizava a marca Menudo em detrimento das individualidades dos artistas e transformava a saída de membros em eventos midiáticos para a introdução de novos substitutos.

A era de ouro e a passagem de Ricky Martin
O auge comercial do grupo aconteceu em 1984 com uma formação que incluía Ricky Meléndez, Robby Draco Rosa, Charlie Massó, Roy Rosselló e Ray Reyes.
Foi nesse período que o cantor Ricky Martin ingressou no conjunto aos 12 anos de idade após ter sido rejeitado em duas audições anteriores por ser considerado baixo e magro para a rotina de shows. Martin permaneceu na banda até julho de 1989 e participou de gravações em diversos idiomas antes de iniciar sua carreira solo internacional.
Impacto no mercado brasileiro e sucessos em português
A “Menudomania” atingiu o Brasil em 1984 por meio do álbum “Mania” que foi gravado inteiramente em português para consolidar a presença da marca no país.
O maior sucesso comercial foi a canção “Não Se Reprima” interpretada por Charlie Massó sendo que a faixa tornou-se notória pela coreografia sincronizada e foi adotada como chave para destrancar do armário muitos gays não assumidos.
Outras composições de impacto incluíram “Quero Ser”, “Sobe em Minha Moto”, “Doces Beijos” e “Rock na TV”. Em 1985, o grupo realizou turnês em estádios brasileiros e registrou recordes de público e audiência televisiva.
Contexto atual e Turnê de 2026
A formação anunciada para a turnê de 2026 é composta por Ramone Acevedo, Robert Avellanet, Ralphy Rodriguez, René Farrait, Sergio Blass, Ruben Gomez e Roy Rosselló.
O retorno ocorre três anos após o lançamento do documentário Menudo: Forever Young que expôs denúncias de abuso sexual e exploração por parte de ex-integrantes contra a gestão original. Roy Rosselló é um dos membros que tornou públicas as acusações de violência sofridas durante o período de atividade na banda.
A turnê “Menudo 50” representa uma tentativa de capitalizar a nostalgia do público enquanto a marca enfrenta o escrutínio de revelações históricas sobre seus bastidores.
O evento confirma a longevidade do modelo de negócio criado na década de 1970 e reforça a importância do grupo na cronologia da música pop global.
A execução dos shows em 2026 servirá como um encerramento formal para gerações de fãs e integrantes que participaram de um dos projetos mais rentáveis e controversos do entretenimento latino-americano.
O lado sombrio
Apesar do imenso sucesso nos palcos e nos programas de televisão, os bastidores do Menudo eram cercados de controvérsias. Anos mais tarde, ex-membros denunciaram o produtor Edgardo Díaz por exploração trabalhista, exaustão extrema e graves abusos físicos e sexuais.
Essa trajetória turbulenta e os segredos por trás da fama precoce foram detalhados na série documental [Menudo: Sempre Jovens (HBO Max / Prime Video)].
* Reportagem: Val-André Mutran (Brasília-DF), especial para o Portal Ver-o-Fato.















